Michèle Guirlanda
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Últimos pacientes do hospital de Barbacena são transferidos para residência terapêutica

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Os últimos 14 pacientes do extinto Hospital-Colônia de Barbacena foram transferidos para uma residência terapêutica no município, encerrando oficialmente um período de 115 anos de história da instituição. O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) continuará atendendo casos agudos e ambulatoriais, seguindo as diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS.

De acordo com o Governo de Minas, a transferência ocorreu no último final de semana. Os pacientes, que viviam no local há décadas, passarão a residir em um espaço com equipe especializada e cuidados humanizados. A mudança foi marcada por uma cerimônia com autoridades, incluindo o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, e o prefeito de Barbacena, Carlos Augusto Soares do Nascimento.

Durante o evento, foi simbolicamente fechado com cadeado o Pavilhão Antônio Carlos, gesto que representa o fim do modelo manicomial. “Este é o ponto final de uma história construída por diversos personagens. São 25 anos desde a Lei da Reforma Psiquiátrica e, até chegarmos aqui, foi muita luta”, afirmou Baccheretti.

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Segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), os pacientes transferidos tinham, em média, 73 anos e passaram cerca de 49 anos internados. Três deles chegaram ao hospital antes dos 15 anos. Entre 1942 e 2020, cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição, com 24 mil mortes registradas.

Histórico do Hospital-Colônia

Inaugurado em 1903 como Sanatório de Barbacena, o local tornou-se em 1911 o primeiro hospital psiquiátrico público de Minas Gerais. Ao longo do século XX, ficou conhecido pela superlotação e violações de direitos. Sua história ganhou repercussão nacional por meio de registros jornalísticos e documentais.

Desde 2019, o Governo de Minas promove a desinstitucionalização de pacientes do CHPB. Entre 2019 e 2025, 68 moradores foram transferidos para serviços residenciais terapêuticos. O estado investiu mais de R$ 718 milhões em saúde mental no período, incluindo R$ 100 milhões somente em 2025.

Atualmente, Minas Gerais possui 453 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo 65 voltados para crianças e adolescentes. O CHPB segue funcionando normalmente, dentro dos protocolos do SUS, para atendimento de crises psiquiátricas.

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