O Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realizará na próxima terça-feira, 16 de julho, uma oficina gratuita sobre a produção do “açaí da Mata Atlântica”. A atividade abordará desde o plantio da palmeira-juçara até a degustação do fruto, conhecido como uma alternativa ao açaí amazônico.
No mesmo dia, o Jardim Botânico da UFJF inaugurará a Casa de Vegetação, um espaço dedicado ao estudo e à produção de mudas da palmeira-juçara (Euterpe edulis). Esta palmeira é considerada fundamental para o equilíbrio ecológico da Mata Atlântica.
Os frutos da juçara servem como alimento para diversas espécies de aves e mamíferos, contribuindo para a dispersão de sementes e a regeneração florestal. A extração sustentável desses frutos para a produção do açaí representa uma alternativa econômica e de conservação.
A palmeira-juçara, nativa da Mata Atlântica e presente no Jardim Botânico, enfrenta ameaças devido à extração ilegal de palmito. A retirada do palmito, que é a gema de crescimento da planta, impede sua regeneração e afeta a biodiversidade local.
O consumo do açaí proveniente da juçara é uma forma de uso sustentável da palmeira, oferecendo uma alternativa econômica para a região. A iniciativa busca promover a conservação da espécie e o desenvolvimento de práticas sustentáveis.
A Casa de Vegetação, um novo projeto no Jardim Botânico, visa a sobrevivência da palmeira-juçara. Coordenada pelo professor Fabrício Alvim, do Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas da UFJF, a iniciativa pesquisará técnicas para a produção de mudas.
De acordo com a UFJF, as mudas produzidas serão utilizadas em projetos de reflorestamento e distribuídas à população. O professor Alvim afirmou que a ideia é “testar diferentes técnicas de produção”, o que envolverá a qualificação de estudantes por meio de trabalhos de conclusão de curso e dissertações.
O projeto da Casa de Vegetação conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Exemplares adultos da palmeira-juçara são encontrados no fragmento florestal do Jardim, que possui uma “Trilha da Juçara”.
A trilha, com aproximadamente 700 metros, permite aos visitantes observar a palmeira-juçara em seu ambiente natural. O percurso culmina em uma galeria natural formada por copas de jabuticabeiras, proporcionando uma experiência imersiva na floresta.
O diretor do Jardim Botânico, Breno Moreira, destacou que a Casa de Vegetação “reafirma o seu compromisso com a conservação da biodiversidade, a formação de cidadãos e o desenvolvimento sustentável da nossa região”.
A Casa de Vegetação integra-se a outros projetos desenvolvidos no Jardim Botânico, como o Meliponário de Abelhas Nativas e a Trilha do Mel. Exposições artísticas e roteiros interpretativos também fazem parte das iniciativas.
Esses projetos contribuem para consolidar o Jardim Botânico como um espaço de produção e compartilhamento de conhecimentos. A instituição busca promover a sensibilização ambiental e a educação sobre a importância da biodiversidade.
Oficina “Plantio e produção de palmeira-juçara”
A oficina “Plantio e produção de palmeira-juçara” ocorrerá das 8h às 12h, no Centro de Educação Ambiental do Jardim Botânico. Todas as vagas para a atividade foram preenchidas.
A iniciativa faz parte do projeto “AMA Juçara – Açaí da Mata Atlântica”, do Instituto Estadual de Florestas (IEF). O coordenador do projeto, Eduardo de Ávila Coelho, explicou que o objetivo principal é “conservar a palmeira-juçara”.
O projeto também visa “levar oportunidade de alternativa de renda para produtores rurais” e “produzir alimento saudável”. Um dos lemas da iniciativa é “Juçara na terra, açaí no copo”, conforme informações da UFJF.
Iniciado em 2023 no Parque Estadual do Ibitipoca, em Lima Duarte (MG), o projeto é desenvolvido em unidades de conservação do IEF. Entre elas, o Parque Estadual da Mata do Krambeck, vizinho ao Jardim Botânico, e o da Serra do Brigadeiro, em Araponga.
Eduardo de Ávila Coelho recordou que a ideia surgiu em 2012, quando ribeirinhos da Amazônia visitaram Ibitipoca e iniciaram a extração de açaí de um cacho maduro. “Foi a primeira vez que participei da produção de açaí da Mata Atlântica”, disse.
Nesta semana, o projeto “AMA Juçara” foi um dos vencedores da 16ª edição do Prêmio Hugo Werneck de Meio Ambiente & Sustentabilidade, na categoria Melhor Exemplo em Biodiversidade Flora. Este prêmio é considerado um dos mais importantes na área ambiental do país.
Com o reconhecimento e o apoio estadual, Coelho espera expandir a atuação do projeto para outras localidades de Minas Gerais, incluindo áreas fora de parques. Ele também almeja a inclusão do açaí da juçara na merenda escolar.
A programação da oficina inclui recepção dos participantes às 8h, apresentação do evento às 8h30 e palestra sobre o Projeto AMA Juçara às 9h. Um café com broa será servido às 9h30.
Das 10h às 12h, serão realizadas oficinas de coleta e beneficiamento, com degustação de açaí. A atividade é organizada pelo Jardim Botânico, projeto AMA Juçara, IEF, Secretaria de Desenvolvimento Agrário da Prefeitura de Juiz de Fora, Embrapa Gado de Leite e Laboratório de Ecologia Vegetal da UFJF.
O evento conta com o apoio da Fapemig e The Nature Conservancy Brasil. Para mais informações, o contato é jardimbotanico@ufjf.br ou pelo site ufjf.br/jardimbotanico.
Projeto AMA Juçara incentiva o plantio da palmeira-juçara e a produção de açaí, como alternativa econômica para produtores rurais (Foto: Raul Mourão/UFJF)
