Os registros de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes no Brasil cresceram 67% em 2025, em comparação com o ano anterior. Os dados são da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23). O relatório compila boletins de ocorrência fornecidos por secretarias estaduais de segurança pública, totalizando 5.226 ocorrências em 2025, frente a 3.161 registros em 2024.
Do total de registros do ano passado, 4.549 foram de bullying e 677 de cyberbullying. De acordo com informações do jornal O Tempo, este é o segundo ano em que o levantamento contabiliza esses crimes. A tipificação penal passou a valer no início de 2024, após a aprovação de uma lei específica sobre o tema pelo Congresso Nacional.
A legislação define bullying como “intimidação sistemática”, mediante violência física ou psicológica, de forma intencional e repetitiva, com pena de multa. Já o cyberbullying, quando a conduta ocorre em ambiente digital, tem punição de reclusão de dois a quatro anos e multa, caso a ação não constitua um crime mais grave.
Segundo Cauê Martins, coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados refletem um maior conhecimento da lei. “Mais do que evidenciar um aumento da violência entre pares, essa expansão parece refletir, sobretudo, a consolidação gradual da nova tipificação penal no cotidiano da sociedade brasileira”, diz Martins.
Ele também pondera que, embora os registros estejam crescendo, eles ainda podem estar subnotificados. “O bullying, e sua versão estendida para os ambientes digitais, constitui um fenômeno muito mais disseminado do que sugerem as estatísticas. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostram que quatro em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam ter sofrido bullying na escola”, explica.
Maus-tratos e outras formas de violência
O anuário também revelou um aumento nos casos de maus-tratos contra vítimas de 0 a 17 anos. Em 2025, foram registrados 38.986 boletins de ocorrência, o que representa uma alta de 14,6% em comparação com o ano anterior. Desde 2021, quando a contagem começou, o crescimento acumulado no número de casos chega a 106,1%.
A taxa de vítimas de maus-tratos atingiu 77,4 por 100 mil habitantes até 17 anos, o maior patamar da série histórica. Conforme o relatório, “os crimes relacionados às relações de cuidado e parentalidade, como maus-tratos, evidenciam a permanência de práticas violentas historicamente naturalizadas no exercício das responsabilidades familiares”, sendo praticados por quem deveria cuidar.
Os registros de divulgação, produção e posse de material de abuso sexual infantil também subiram, totalizando 4.063 casos em 2025, um aumento de 25,3% em relação a 2024. Segundo os dados do Fórum Brasileiro da Segurança Pública, 84% das vítimas eram meninas, e 34,2% das pessoas apontadas como autoras dos crimes eram também adolescentes.
O relatório aponta ainda que o Brasil registrou 1.611 homicídios de crianças e adolescentes no ano passado, uma queda de 11%. Além disso, os casos de estupro de vulnerável, que envolvem menores de 14 anos ou pessoas incapazes de discernimento, corresponderam a 76,6% de todos os estupros registrados no país, somando 64.990 ocorrências em 2025.
