Cláudio Lacerda/Divulgação
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Iniciativas literárias em escolas de Belo Horizonte incentivam formação de leitores

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Belo Horizonte, MG – A Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte (RME-BH) destaca a atuação de escritores em suas escolas, incluindo profissionais e estudantes. A iniciativa ocorre em celebração ao Dia Nacional do Escritor, comemorado em 25 de julho.

Stela Araújo de Souza, assistente administrativa na biblioteca da Escola Municipal Lídia Angélica, na Regional Pampulha, organiza projetos literários. Entre eles, o “Leituras Compartilhadas” reúne turmas da Educação Infantil e anos iniciais do ensino fundamental para sessões de contação de histórias, com leituras coletivas, teatro e fantoches.

A profissional, com quase duas décadas na educação pública de BH, considera que o contato com escritores aproxima os alunos da literatura. “Também realizamos parcerias com autores e só o fato de perceberem que um deles está falando diretamente com eles já os encantou. Essas pontes que construímos são muito importantes”, afirma.

Anderson Seixas, professor de educação física na Escola Municipal União Comunitária, na Regional Barreiro, também é escritor. Ele desenvolve ações de incentivo à leitura em sala de aula, inspirando-se em sua própria história e no gênero de fantasia, seu favorito desde a infância.

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O professor busca conscientizar os alunos sobre hábitos saudáveis, como a leitura. “Desenvolvo algumas brincadeiras para conscientizar os alunos a terem hábitos mais saudáveis, como ler, e largar um pouquinho o celular. É papel do professor de educação física levar o aluno para a reflexão”, explica Seixas.

Jovem escritora

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) também ressalta o trabalho de crianças autoras, como Antônia Magalhães Coelho Portela, de 9 anos. Aluna da Escola Municipal Vinicius de Moraes, no Barreiro, ela publicou o livro “O Segredo da Floresta” no início deste ano.

A obra narra a história da personagem Antônia, que acorda em uma floresta ameaçada e busca artefatos mágicos para protegê-la. A inspiração para a publicação surgiu da preocupação da jovem escritora com o meio ambiente.

“Eu quero passar a mensagem de que devemos respeitar a natureza, pois várias pessoas no dia a dia destroem as nossas matas. O livro também foi feito para adultos, que devem ter noção sobre o que estão fazendo”, declara Antônia.

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O interesse pela leitura de Antônia foi incentivado em casa e na escola. Eliane Aparecida Magalhães dos Santos, mãe da escritora e professora da Rede Municipal, destaca o apoio familiar e escolar. “Antônia recebeu estímulo de todos os professores e teve à disposição uma biblioteca maravilhosa. As crianças são como terras férteis; quando a escola motiva e incentiva, as sementes germinam”, comenta.

Formação de leitores

A Smed apoia iniciativas que integram leitura e escrita no cotidiano dos estudantes. Para ampliar o acesso à literatura, a secretaria distribui Kits Literários a todos os alunos, adaptados a diferentes perfis e faixas etárias.

A seleção dos kits abrange diversidade de temas, gêneros e autores, incluindo literatura afro-brasileira, africana e indígena. Esses materiais contribuem para o acervo das bibliotecas escolares e para o trabalho com as relações étnico-raciais.

Outra iniciativa é a Jornada Literária, que estimula a produção de livros por turmas da educação infantil (4 e 5 anos), ensino fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA). O programa, criado em 2011, já resultou na produção de cerca de 760 livros.

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Neste ano, o tema da Jornada Literária é “Justiça Social”, com prazo final de entrega até 30 de outubro. A iniciativa inclui atividades como saraus literários, elaboração de projeto gráfico, encenações teatrais e sessões de autógrafos.

A Smed também trabalha para equipar e automatizar as bibliotecas escolares com o sistema Pergamum, ferramenta de gestão da informação. Mais de 225 bibliotecas já foram automatizadas, com quase um milhão de obras catalogadas, ampliando o acesso dos estudantes aos livros.

Arminda Oliveira, subsecretária de Inclusão, Equidade e Clima Escolar e de Gestão Pedagógica, ressalta o papel da Smed. “Acreditamos na escola pública como um polo pulsante de produção literária e cultural. Quando abrimos espaço para que um estudante publique seu primeiro texto ou valorizamos o talento de um professor ou bibliotecário escritor, estamos mostrando que as vozes deles importam e têm poder de transformação”, afirma.

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