A Autêntica Editora realiza nesta quinta-feira (13) o lançamento da “Caixa Zaratustra”, um projeto que celebra a obra de Friedrich Nietzsche. A caixa contém uma nova tradução de “Assim falava Zaratustra” e um ensaio inédito sobre o livro. O evento de lançamento, com debate entre os autores, acontece em Belo Horizonte, na Livraria Quixote, a partir das 18h.
A “Caixa Zaratustra” é composta por uma nova tradução da obra “Assim falava Zaratustra”, realizada pelo professor da UnB Fernando R. de Moraes Barros. De acordo com informações do jornal O Tempo, o projeto também inclui um ensaio inédito de Scarlett Marton, professora titular da USP e referência nos estudos sobre o filósofo, resultado de mais de 30 anos de pesquisa.
Escrita entre 1883 e 1885, a obra “Assim falava Zaratustra” narra a jornada de um profeta que deixa seu isolamento para difundir uma nova perspectiva sobre o mundo. O livro combina elementos de filosofia e ficção, com uma cadência que remete a textos bíblicos, para abordar a crítica aos valores tradicionais, ao corpo e às virtudes de base cristã.
Para a nova tradução, Moraes Barros utilizou como base a edição alemã de referência de Giorgio Colli e Mazzino Montinari, contando com a revisão técnica de Scarlett Marton. O trabalho buscou soluções linguísticas precisas e o uso de neologismos para contemplar a polissemia do texto original de Nietzsche, como a tradução do termo central *Untergang* por “declínio”.
No ensaio “Nietzsche e a obra por fazer: Zaratustra”, Marton apresenta o primeiro comentário integral sobre a obra, propondo uma tese que desafia a tradição crítica. A autora argumenta que o eixo central do livro é o projeto de transvaloração de todos os valores, e não conceitos como o “eterno retorno” ou o “além-do-homem”, que estariam a serviço dessa tarefa principal.
A pesquisadora também aborda o processo de criação de Nietzsche, que teria planejado ao menos sete versões diferentes do livro. Marton aponta que a versão em três partes, autorizada pelo filósofo, foi posteriormente renegada por ele, enquanto a edição em quatro partes, consagrada pela posteridade, nunca recebeu o aval do autor, deixando a tarefa filosófica do texto em aberto.
