O Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) realizou, nos dias 18 e 19 de agosto, o I Seminário Institucional de Currículo Integrado. O evento, promovido pela Pró-Reitoria de Ensino e Assuntos Estudantis (Proen), reuniu 74 profissionais de ensino no Campus Bom Despacho.
Representantes de todos os campi da instituição participaram do seminário, que abordou a organização curricular do ensino médio integrado. O objetivo foi discutir os princípios que orientam a formação dos estudantes e fortalecer os processos de construção e aprimoramento dos currículos.
A programação incluiu temas como educação para as relações étnico-raciais, gênero e diversidade sexual, juventudes, artes e culturas, e educação financeira. As discussões realizadas pelos grupos de trabalho serão sistematizadas em um documento institucional, reunindo as deliberações e os encaminhamentos definidos.
De acordo com o IFMG, a cerimônia de abertura contou com a participação da reitora substituta Heloísa Pereira, do pró-reitor de Ensino e Assuntos Estudantis, Mário Alvarenga, e da diretora-geral do Campus Bom Despacho, Ana Kelly Arantes.
Ana Kelly Arantes destacou a importância do debate sobre o currículo: “O currículo é disputa, é vivo. De qual formação humana estamos falando? Qual ensino médio integrado queremos fazer? Precisamos nos capacitar, pensar e falar sobre isso”.
Mário Alvarenga, ao apresentar os temas do seminário, mencionou a necessidade de um recorte, mesmo em um evento sobre currículo. Ele afirmou: “Esses não são os únicos temas relevantes ao falar de currículo integrado, mas estamos no primeiro seminário e esperamos ter, a partir de agora, esse ciclo de debates”.
O pró-reitor também expressou a expectativa de que o evento resulte na construção de diretrizes a partir das discussões. A mesa “O Currículo Integrado nos Institutos Federais” contou com a participação de Carolina Giovannetti, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Rogério Justino, do Instituto Federal Goiano (IF Goiano).
A mediação foi realizada por Cláudio Pereira, do IFMG. O debate reafirmou o currículo como um campo de disputa e poder, onde a escolha do que será incluído implica no silenciamento de outras realidades.
Carolina Giovannetti ressaltou: “Integrar (o currículo) também é reparar ausências históricas”. A professora abordou o desafio da educação técnica em relação à divisão sexual do trabalho, sugerindo a inclusão de experiências e autoras femininas no currículo do ensino médio integrado.
Rogério Justino focou nos impasses e aspectos práticos enfrentados pelos institutos na implantação do ensino integrado. Ele afirmou: “Não é possível falar de currículo integrado se não existir conversa entre a equipe, planejamento conjunto, conhecimento sobre o trabalho dos colegas”.
A programação formativa incluiu atividades sobre os quatro temas definidos para o seminário. Yone Maria Gonzaga, da UFMG, abordou a educação para as relações étnico-raciais no currículo integrado.
Cathia Alves, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), discutiu gênero e diversidade sexual no currículo integrado. Izaú Veras Gomes, da Prefeitura de Belo Horizonte, tratou das relações entre juventudes, artes e culturas no currículo integrado.
Encerrando as atividades formativas, Pedro Xavier, do IFMG, abordou a educação financeira no currículo integrado. Ele focou nos desafios e nas possibilidades para a formação integral dos estudantes.
Grupos de trabalho e deliberações
No segundo dia do seminário, os participantes foram distribuídos em cinco grupos de trabalho simultâneos. As atividades incluíram a continuidade das discussões e a finalização dos relatórios produzidos pelos GTs.
A programação previu uma plenária geral para a socialização dos trabalhos, seguida das deliberações e dos encaminhamentos finais. A expectativa é que as discussões resultem em orientações compartilhadas para o aprimoramento dos currículos dos cursos técnicos integrados.
Também se espera um conjunto de encaminhamentos para orientar as próximas etapas do trabalho institucional. A participação dos representantes dos diferentes cursos e campi busca garantir que as discussões e decisões tenham abrangência institucional.
O objetivo é que as deliberações possam subsidiar o trabalho desenvolvido nas unidades do IFMG. Mais informações sobre o seminário podem ser encontradas no site do evento.
