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MPMG e autoridades locais alertam sobre riscos ambientais na represa de Chapéu D’Uvas

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Prefeitura de Juiz de Fora e a Associação Regional de Proteção Ambiental (Arpa) de Santos Dumont realizaram uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, 25 de agosto. O evento abordou os riscos ambientais que afetam a represa de Chapéu D’Uvas e as ações articuladas para a preservação do manancial.

A represa de Chapéu D’Uvas, localizada em Ewbank da Câmara, na comarca de Santos Dumont, é responsável por aproximadamente 40% do abastecimento de água de Juiz de Fora. A barragem possui um papel estratégico para a segurança hídrica do município da Zona da Mata mineira.

Representaram o MPMG na coletiva os promotores de Justiça Luciano Badini, João Paulo Brant, Fábio Rodrigues Lauriano, Alex Fernandes Santiago e Roger Aguiar. Eles apresentaram dados e análises sobre a situação da represa e as medidas em andamento.

O Ministério Público informou que a ocupação irregular no entorno da represa se intensificou a partir de 2015. Houve proliferação de parcelamentos clandestinos e construções em áreas ambientalmente protegidas, sem infraestrutura de saneamento básico e drenagem.

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De acordo com o MPMG, essas intervenções podem causar impactos ambientais significativos. Entre eles, destacam-se desmatamento, erosão, movimentação de terra, assoreamento e contaminação dos recursos hídricos por esgoto não tratado.

Um dos alertas do MPMG foi a ausência de sistemas de tratamento de esgoto nos parcelamentos irregulares identificados na região. A continuidade dessas ocupações sem infraestrutura adequada representa um risco direto à qualidade da água e à conservação do reservatório.

Atuação e Resultados

Para combater o problema, o Ministério Público tem atuado de forma integrada nas esferas cível, criminal e ambiental. Foram instauradas 46 notícias de fato, 61 inquéritos civis e 31 procedimentos investigatórios criminais.

Também foram ajuizadas 53 ações civis públicas e 12 ações penais, resultando em três decretos de prisão preventiva. No total, 88 pessoas foram responsabilizadas ou investigadas em procedimentos relacionados às irregularidades constatadas.

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As medidas judiciais resultaram na proteção de cerca de 238,3 hectares de áreas ambientalmente relevantes, o equivalente a aproximadamente 50 alqueires. Segundo o MPMG, as decisões visam impedir intervenções ilegais e preservar áreas essenciais para a manutenção da qualidade do manancial.

Proteção Ambiental e Segurança Hídrica

O MPMG destacou que a preservação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) é um dos focos da atuação institucional. Estudos técnicos indicam a necessidade de uma faixa de proteção de 100 metros no entorno rural da represa, conforme a legislação ambiental e a jurisprudência.

Durante a apresentação, foi mencionada a Represa Billings, em São Paulo, como exemplo dos impactos da ocupação desordenada em um manancial estratégico. O caso reforça a importância de ações preventivas para a preservação de Chapéu D’Uvas, evitando danos irreversíveis.

O Ministério Público enfatizou que a proteção da represa depende da atuação dos órgãos públicos e do engajamento da sociedade. O apoio da população e das instituições parceiras é considerado fundamental para impedir o avanço de ocupações irregulares e garantir a conservação do patrimônio ambiental.

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