“Hoje, celebramos 50 anos de conquistas, mas, acima de tudo, celebramos as pessoas que tornaram essas conquistas possíveis”, afirmou Maria Betânia Tinti de Andrade, professora da Escola de Enfermagem e egressa do curso. A declaração ocorreu durante uma das homenagens no encerramento do 1º Congresso Nacional de Enfermagem da UNIFAL-MG e a celebração dos 50 anos do curso, em 26 de agosto.

A fala da docente resumiu o propósito da celebração de cinco décadas do curso: abordar uma história construída por diferentes gerações. Isso incluiu a conexão entre memória, formação profissional e produção de conhecimento.
O congresso, realizado entre 24 e 26 de agosto, integrou as comemorações dos 50 anos do curso. O evento reuniu mais de 300 participantes, incluindo estudantes, docentes, técnicos-administrativos, egressos, profissionais de Enfermagem e pesquisadores. Convidados de outras instituições e trabalhadores da saúde também estiveram presentes.
A programação do congresso incluiu apresentações culturais dos projetos de extensão Madrigal UNIFAL-MG e Camerata Theophillus. A dimensão científica do encontro foi evidenciada pela submissão de mais de 200 resumos.
Desses resumos, 176 foram aprovados para apresentação oral ou em formato de pôster. Ao final, a comissão científica registrou 164 trabalhos efetivamente apresentados. Mais de 50 avaliadores participaram da análise dos resumos e das apresentações.
De acordo com informações da Unifal, a professora Cristiane Aparecida Silveira Monteiro, coordenadora do evento e pró-reitora de Extensão e Cultura da Escola de Enfermagem, destacou a intenção de reunir diferentes públicos e gerações. Essa abordagem orientou a concepção do congresso.
Ela afirmou: “Mais do que olhar para o passado, nossa intenção foi transformar a comemoração em um espaço de encontro, conhecimento e construção do futuro. Reunir estudantes, professores, profissionais, pesquisadores e egressos significa reunir diferentes gerações que ajudam a contar a história da Enfermagem da UNIFAL-MG”.
No encerramento, a professora Cristiane Monteiro compartilhou: “Estar à frente dessa comissão significa representar o trabalho de inúmeras pessoas, de inúmeras mãos. É um trabalho conjunto que rendeu frutos dos quais sou muito orgulhosa.”
Uma história construída por muitas mãos
A homenagem conduzida pela professora Maria Betânia Andrade no encerramento do evento reconheceu diversos grupos. Estes grupos contribuíram para a construção da Enfermagem na UNIFAL-MG ao longo das décadas.
Entre os homenageados estavam docentes, técnicos-administrativos, trabalhadores terceirizados e profissionais dos serviços de saúde que receberam estudantes em cenários de prática. A professora Maria Betânia Andrade afirmou que “A história do curso de Enfermagem se funde com a história da Escola de Enfermagem, história escrita por muitas mãos”.
De acordo com a coordenadora Cristiane Monteiro, o caráter coletivo também se manifestou na preparação do primeiro Congresso. O evento envolveu mais de um ano de trabalho de diferentes comissões.
A idealização do evento visou não apenas a recuperação da memória, mas também a incorporação de produção de conhecimento, intercâmbio de experiências e discussões sobre o futuro da profissão. A programação refletiu esse propósito.
As atividades contemplaram a trajetória histórica da Escola de Enfermagem, ensino e pós-graduação, produção científica, inovação em saúde, empreendedorismo, transformação digital, pesquisa clínica, gestão e competências profissionais. Também foram previstas apresentações científicas em formato on-line, oral e pôster.
A abertura da programação científica incluiu uma mesa dedicada aos 50 anos, com a participação de Maria Betânia Andrade. Ela abordou a trajetória histórica da Escola, enquanto Cristiane Monteiro discutiu ensino, inovação, desafios e perspectivas futuras.
O encontro também dedicou espaço à pós-graduação e a reflexões sobre a formação de pesquisadores e a produção científica na área. A programação buscou integrar diferentes aspectos da Enfermagem.
Momentos que resgataram a trajetória histórica da Escola de Enfermagem e o reconhecimento às pessoas que participaram da construção da Enfermagem na Universidade. (Fotos: Dicom/UNIFAL-MG)
Das primeiras décadas aos novos campos de atuação
O curso de Enfermagem e Obstetrícia foi estabelecido na então Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas (EFOA). A supervisão inicial foi da Escola de Enfermagem Anna Nery, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ao longo das décadas, o curso passou por reformulações curriculares e expandiu sua atuação. Isso incluiu a saúde pública, o ensino, a pesquisa e a formação pós-graduada.
Entre os marcos históricos, destacam-se a transformação da EFOA em Universidade Federal de Alfenas em 2005. O desempenho do curso em uma avaliação nacional em 2007 também foi relevante.
A mudança do então Departamento de Enfermagem para Escola de Enfermagem em 2010 marcou um período de expansão da pós-graduação e das residências. No congresso, a revisão dessa trajetória serviu como ponto de partida.
A discussão abordou as mudanças atuais na profissão. Mesas sobre inovação e mercado de trabalho incluíram temas como transformação digital, gestão de projetos em saúde, empreendedorismo, pesquisa clínica e competências profissionais.
De acordo com Cristiane Monteiro, essa combinação explica o significado da comemoração. “Chegar aos 50 anos significa reconhecer tudo aquilo que foi construído, homenagear as pessoas que fizeram parte dessa trajetória e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade de pensar os próximos 50 anos”, pontuou.
Trajetória ressaltada nas mesas de debate serviu também como ponto de partida para discutir mudanças que hoje atravessam a profissão. (Fotos: Dicom/UNIFAL-MG)
Memórias reunidas em um e-book
Parte da história do curso será preservada em formato de publicação. Durante o encerramento, houve o pré-lançamento de um e-book comemorativo. O livro aborda os 50 anos de ensino, pesquisa e extensão do curso.
A apresentação foi conduzida pela professora Edilaine Assunção Caetano de Loyola. Ela dirigiu uma mensagem aos estudantes, incentivando-os a conhecer a história do curso. “É um material muito rico e que faz todos nós nos sentirmos parte dessa história”, afirmou.
O e-book contém 22 capítulos, escritos por diversos autores. Entre eles estão docentes, estudantes de graduação e pós-graduação, técnicos-administrativos e servidores aposentados.
Os textos resgatam diferentes aspectos da trajetória, como o curso, o antigo Departamento de Enfermagem, laboratórios, residências, extensão, ensino e pesquisa. A dedicatória da obra, lida por Edilaine Loyola, enfatiza o reconhecimento das pessoas e coletivos que contribuíram para a construção do curso.
A publicação estende a homenagem a professores, técnicos, estudantes, egressos, gestores, colaboradores e comunidades. Com eles, a Escola compartilhou conhecimentos, práticas e cuidados ao longo de sua história.
Duzentos trabalhos submetidos e nove menções honrosas
A produção científica apresentada durante o congresso constituiu outro pilar da celebração. Segundo o professor Fábio de Souza Terra, representante da comissão científica, o evento recebeu 200 resumos. Destes, 176 foram aprovados, sendo 40 para pôster e 136 para apresentação oral.
Após as sessões, a comissão registrou 164 trabalhos efetivamente apresentados: 37 pôsteres e 127 apresentações orais. As produções tiveram origem em iniciações científicas, trabalhos de conclusão de curso, residências e programas de pós-graduação, além de estudos de outras instituições. Os trabalhos aprovados e apresentados deverão compor os anais do congresso.
Para Fábio Terra, o volume de trabalhos reforça o papel da pesquisa na consolidação científica da profissão. “É com esse número que a gente vê a importância de continuarmos pesquisando, independente do nível dessa pesquisa, para fortalecermos cada vez mais a Enfermagem como ciência”, afirmou.
A comissão concedeu nove menções honrosas, distribuídas igualmente em três categorias: revisões e reflexões teóricas, relatos de caso e de experiência, e pesquisas originais. A seleção considerou originalidade, relevância científica, aplicabilidade para a Enfermagem e qualidade metodológica.
Entre os trabalhos selecionados, estavam estudos sobre saúde mental de profissionais de saúde e inteligência artificial, humanização do cuidado com tecnologias digitais, relação entre médicos e enfermeiros, saúde da mulher na atenção primária, gestão da saúde penitenciária e permanência e diversidade de estudantes da área da saúde.
Fábio Terra ressaltou que a seleção não diminuiu a relevância das demais produções. Ele avaliou que a diversidade de métodos e pesquisas demonstrou as diferentes formas de produção de conhecimento na área.
O evento recebeu 200 resumos, dos quais 176 foram aprovados, sendo 40 para pôster e 136 para apresentação oral. (Fotos: Dicom/UNIFAL-MG)
O que os 50 anos projetam para o futuro
O encerramento do congresso reafirmou a ideia de que os 50 anos não representam um ponto final, mas sim a continuidade. Uma carta coletiva descreveu a trajetória do curso como uma história em constante transformação, influenciada pelas mudanças na Universidade, na profissão e nas gerações.
“Os 50 anos não representam um ponto final, representam continuidade, representam possibilidade de seguir formando, de seguir construindo, de seguir buscando inovação, conhecimento, cuidado, transformação”, registrou o texto lido pela professora Cristiane Monteiro no encerramento.
A cerimônia culminou com o descerramento da placa comemorativa das cinco décadas. A ação foi realizada pela professora Cristiane Monteiro e pelo professor Rogério Silva Lima, diretor da Escola de Enfermagem.
Rogério Lima encerrou o evento afirmando: “É um ano de comemorações. A gente espera ter oportunidade de encontrar vocês em outros momentos, em outros eventos que vão ser promovidos pela Escola de Enfermagem, pelo curso, em ações de extensão, sempre recordando o legado que fica e o legado que continua”.
A placa comemorativa registra a mensagem: “A Escola de Enfermagem da UNIFAL-MG reafirma seu compromisso com a formação de profissionais de excelência, com a produção de conhecimento científico e com a promoção da saúde. Uma homenagem aos 50 anos do Curso de Enfermagem e à sua contribuição para a saúde e para a universidade pública.”
As atividades da Escola de Enfermagem podem ser acompanhadas pelo perfil nas redes sociais aqui.
(Fotos: Dicom/UNIFAL-MG)
