A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (17) a décima fase da Operação Overclean, que investiga suspeitas de fraudes em contratos da Secretaria de Educação de Belo Horizonte. Durante a ação, foram apreendidos R$ 230 mil em Ervália, na Zona da Mata mineira, e em São Paulo. O valor, segundo a corporação, ainda pode aumentar, pois as equipes permanecem em campo.
Ao todo, foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão em seis estados. A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de fraudar licitações para a compra de serviços e materiais didáticos para a rede pública da capital mineira. As contratações sob suspeita teriam ocorrido entre 2024 e 2025. A Prefeitura de BH não havia se posicionado sobre a operação até o momento.
De acordo com informações do jornal O Tempo, a Polícia Federal informou que pelo menos três procedimentos analisados resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. A corporação apura se houve manipulação dos processos para beneficiar empresas específicas. Os fatos investigados podem caracterizar crimes contra a administração pública, fraudes em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Operação anterior afastou secretário
Em abril de 2025, a terceira fase da Operação Overclean teve como alvo o então secretário de Educação de BH, Bruno Barral, que foi afastado do cargo por determinação do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme a Polícia Federal, Barral estaria ligado a um esquema que envolvia desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.
Barral, que também foi secretário de Educação em Salvador, é proprietário de uma empresa ré na Justiça da Bahia por dano ao erário de Santo Antônio de Jesus (BA). O Ministério Público da Bahia apontou improbidade administrativa em um contrato de R$ 300 mil, sem licitação, firmado pelo empreendimento com a prefeitura local para serviços de assessoria e consultoria em 2021.
O contrato entre a Bruno Oitaven Barral Ltda. e o município de Santo Antônio de Jesus está suspenso por uma decisão liminar desde fevereiro de 2023. Na ocasião, o juiz Carlos Roberto Silva Júnior também determinou a paralisação dos pagamentos da prefeitura à empresa, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, “até a solução final do litígio”.
