Documentário sobre primeira geração de cotistas estreia no YouTube nesta quinta

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O documentário “Trajetórias de Cotistas: por onde anda a primeira geração?” tem pré-estreia nesta quinta-feira (15), no YouTube. A produção acompanha as histórias de vida dos primeiros estudantes negros que ingressaram no ensino superior por meio das políticas de cotas, cerca de dez anos após a conclusão da graduação, dimensionando as transformações provocadas pelo acesso à universidade.

Idealizado pelo professor Rodrigo Ednilson de Jesus, da Coordenadoria de Políticas de Ações Afirmativas e Inclusão Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o filme reúne 12 histórias de pessoas impactadas pelas ações afirmativas. Além das conquistas profissionais e acadêmicas, a produção mostra como a entrada na universidade repercutiu nas famílias e comunidades dos estudantes, inspirando outras gerações de alunos.

Uma dessas histórias é a de Rute Costa, de 42 anos, que se formou em Nutrição pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em 2008. Hoje doutora em Educação e professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela faz parte da primeira geração de estudantes cotistas. “Entrar na universidade foi um divisor de águas na minha vida. E, mais do que isso, acreditar que a partir da educação seria possível superar alguns desafios da pobreza e do racismo”, afirma.

A experiência de Rute ajuda a dimensionar a importância das políticas de reserva de vagas. De acordo com informações do jornal O Tempo, a Lei nº 12.711, de 2012, estabeleceu a reserva de vagas nas instituições federais, padronizando iniciativas que já existiam em diferentes universidades. As primeiras experiências do tipo no ensino superior brasileiro, porém, remontam a quase 25 anos.

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Para Rodrigo Ednilson de Jesus, revisitar essas trajetórias é uma maneira de compreender os efeitos das políticas públicas para além do acesso à universidade. “De lá para cá, muitas pessoas, famílias e comunidades foram transformadas. Neste sensível documentário, queremos compartilhar um pouco dessas histórias inspiradoras, que foram fortemente impactadas pelo poder da educação e das políticas públicas de promoção de direitos”, destaca o professor.

Cotistas apresentam maior índice de conclusão

Os resultados também aparecem nos indicadores educacionais. Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2024, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 49% dos estudantes que ingressam no ensino superior por meio de cotas concluem a graduação. Entre os demais estudantes, o percentual de conclusão é de 42%.

Os números contrastam com um dos argumentos que circularam durante o debate sobre a adoção das cotas: o de que estudantes beneficiados pela política não teriam condições de concluir o ensino superior. Ao reunir experiências de diferentes pessoas, o documentário propõe um olhar sobre o que aconteceu com essa primeira geração e sobre os efeitos da democratização do acesso à educação.

Com roteiro e direção da jornalista Queila Ariadne, “Trajetórias de Cotistas: por onde anda a primeira geração?” coloca no centro da narrativa pessoas que, além de construir seus próprios caminhos profissionais, passaram a representar novas possibilidades para quem veio depois delas.

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Como funciona a Lei de Cotas

A Lei nº 12.711, de 2012, foi criada para ampliar o acesso ao ensino superior e à educação técnica federal, buscando enfrentar desigualdades sociais e raciais. A legislação estabeleceu a reserva de, no mínimo, 50% das vagas nas instituições federais para estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas, com critérios de distribuição que incluem renda e a proporção de pessoas pretas, pardas, indígenas, quilombolas e com deficiência.

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