MPMG investiga loteamentos irregulares no Anel Viário Sul de Uberlândia

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Uberlândia, divulgou em 19 de outubro o histórico das investigações sobre a liberação de dois loteamentos. Os empreendimentos GSP Life Botânico e GSP Life Botânico II estão localizados no Anel Viário Sul de Uberlândia (LMG-503), no Triângulo Mineiro.

Em 16 de outubro, uma servidora do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) foi detida durante operação conjunta do MPMG e da Polícia Militar. A investigada é suspeita de falsidade ideológica, corrupção, advocacia administrativa e sonegação de documentos.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência da servidora e em seu local de trabalho. As investigações analisam as decisões da Prefeitura de Uberlândia, da loteadora GSP e do DER-MG. O foco é o descumprimento de obrigações viárias e o esvaziamento de garantias financeiras exigidas para a aprovação dos empreendimentos.

Além das apurações criminais, a Promotoria de Justiça examina a conduta das instituições ao longo de mais de uma década. As investigações abrangem dois empreendimentos com históricos distintos de descumprimento de obrigações. As informações foram divulgadas pelo MPMG.

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No caso do empreendimento GSP Life Botânico, documentos indicam que a obrigação de construir o trevo no Anel Viário Sul foi assumida pela loteadora. Essa obrigação constava no Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e foi formalizada no Termo de Aprovação em 2012.

Em novembro de 2016, a Prefeitura reconheceu o não cumprimento da obrigação pela empresa e iniciou o acionamento do seguro-garantia. Em março de 2017, a Procuradoria-Geral do Município alertou sobre o risco de perda dessa proteção caso novos prazos fossem concedidos.

Apesar do alerta, e sem a conclusão ou aprovação definitiva da obra viária pelo DER-MG, o Município autorizou a emissão de alvarás e habite-se em julho de 2017. Em outubro do mesmo ano, expediu o Termo de Conclusão, atestando que as obras do loteamento estavam “100% concluídas”.

O MPMG aponta que a Prefeitura liberou o empreendimento e permitiu o esvaziamento das garantias sem que a obra viária tivesse sido iniciada. Essa situação é objeto de análise nas investigações em curso.

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Botânico II

No loteamento GSP Life Botânico II, o Termo de Aprovação assinado em 2014 condicionava a liberação da caução imobiliária à execução do trevo e da via marginal. Diante do descumprimento, o Município ingressou com ação judicial em 2019.

No entanto, a Prefeitura optou por não utilizar a garantia disponível para executar diretamente a obra. Em outubro de 2023, foi celebrado um acordo judicial para substituir o trevo por uma solução viária alternativa de menor custo para a loteadora.

O acordo foi baseado na premissa de que a nova intervenção já estaria autorizada pelo DER-MG. Contudo, a aprovação técnica definitiva do projeto substitutivo pelo órgão ocorreu apenas em setembro de 2025.

A própria Prefeitura reconheceu em 2026 não ter realizado análise técnica prévia nem avaliado se a alternativa era equivalente à solução original. Essas informações são parte das apurações do MPMG.

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O MPMG solicitou informações formais à Prefeitura de Uberlândia, à loteadora GSP e ao DER-MG. O Município deverá esclarecer as razões da liberação de obras incompletas, a dispensa de garantias e a omissão na cobrança por mais de uma década.

A Prefeitura também deverá explicar a aceitação do acordo judicial com base em premissas não comprovadas. A empresa e o órgão estadual deverão detalhar as tratativas realizadas e a expedição de documentos sem respaldo técnico e normativo adequado.

As investigações prosseguem para apurar eventuais responsabilidades cíveis, administrativas, por improbidade e penais. Para mais informações, acesse a notícia relacionada: MPMG obtém liminar que suspende acordo sobre obra de acesso viário a loteamento em Uberlândia.

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