No dia 21 de março de 2026, o professor Dr. Ailton de Souza Aragão, do Departamento de Saúde Coletiva (DeSCo) e da Secretaria de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (SEDIPA), realizou uma Roda de Conversa com adolescentes da Escola Estadual “Bernardo Vasconcelos”. O evento abordou o tema do 21 de março, a convite da professora Carmem e da equipe pedagógica da escola.
A data de 21 de março marca o massacre ocorrido em 1960, quando policiais sul-africanos atacaram manifestantes contrários às leis racistas do apartheid. A data busca manter viva a memória desse evento e ampliar as discussões sobre o combate ao racismo e à xenofobia. O objetivo é promover ações que garantam equidade, justiça e dignidade para todos, além de reforçar o compromisso coletivo contra a discriminação racial e a intolerância.
A Roda de Conversa ocorreu na biblioteca da escola, com a presença de cerca de 35 adolescentes e alguns docentes. O professor A. S. Aragão iniciou o diálogo questionando os participantes sobre suas percepções da África. As respostas incluíram termos como “fome”, “doença”, “seca”, “atrasado” e “sem internet”.
Essas respostas, segundo o professor, refletem narrativas sobre o continente que persistem há décadas. A partir disso, foi desenvolvida uma reflexão sobre o processo de colonização europeia e as formas de dominação impostas aos povos africanos, incluindo a escravização transatlântica.
No contexto brasileiro, foram utilizadas estratégias de interação para discutir as profissões exercidas por negros e brancos, a escolaridade dos pais de adolescentes negros, a renda familiar e a violência que afeta jovens negros. Também foram abordadas a imposição de uma estética eurocêntrica e o apagamento de expressões religiosas de matriz africana, além das aspirações profissionais dos adolescentes.
A discussão foi orientada pelos exemplos apresentados pelos adolescentes, que evidenciaram as relações sociais cotidianas. Essas experiências permitem constatar que, mesmo 66 anos após o ocorrido na África do Sul, a população negra no Brasil continua a sofrer os efeitos do racismo, como pobreza, menor renda e maior incidência de vítimas de violência letal e doenças evitáveis.
Além de identificar os efeitos do racismo na sociedade, a conversa focou em sua manifestação no ambiente escolar. Os adolescentes relataram experiências de racismo recreativo, como piadas sobre cabelos, e racismo religioso, com comentários desrespeitosos sobre adereços de religiões de matriz africana.
Essas expressões, conforme discutido, podem fragilizar e adoecer os adolescentes, impactando suas atividades escolares e sua vida fora da escola. A conclusão coletiva da manhã de 21 de março na E. E. “Bernardo Vasconcelos” foi a afirmação: “uma escola sem racismo é possível!”.
Essa máxima é respaldada pela Lei 10.639, de 09 de janeiro de 2003, que incentiva e orienta a elaboração de ações que valorizem as manifestações da cultura negra. A lei promove o reconhecimento de danças, músicas, expressões religiosas, literatura e moda, destacando a diversidade e as contribuições da cultura negra para a dinâmica social brasileira.

Da esquerda para a direita: Prof.ª Carmen Dionilia Amâncio de Sousa. (Professora de Arte e Apoio Pedagógico),
Prof. Ailton de Souza Aragão (DeSCo – SEDIPA). Prof.ª Marisa Almeida de Araújo (professora de Geografia),
Prof. João Edson Pacheco Silva (vice-diretor)
Crédito da imagem: Prof. Cícero Madu da Silva