O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que deixou o cargo para uma pré-candidatura à Presidência, tem apresentado um conjunto de obras de infraestrutura como um legado de sua gestão. Conforme informações do jornal O Tempo, o financiamento para esses projetos, que incluem hospitais e rodovias, depende majoritariamente dos recursos dos acordos de reparação pelas tragédias das barragens de Mariana e Brumadinho.
Zema classificou a série de obras como parte de um “ciclo virtuoso” iniciado em sua gestão. “Nunca tivemos em Minas, simultaneamente, tantas obras de porte como as que teremos a partir de agora. Entrego esse grande canteiro de obras em andamento com um detalhe muito importante: tudo o que eu falei aqui sobre essas obras está com recurso reservado para a conclusão”, declarou em entrevista ao jornal O Tempo.
A ampliação do metrô de Belo Horizonte é um dos projetos citados. Dos R$ 3,7 bilhões previstos para o modal, R$ 2,8 bilhões são do governo federal. A contrapartida do estado, de R$ 440 milhões, tem como origem o acordo de reparação com a Vale pelo rompimento da barragem em Brumadinho. O pacote de obras também inclui a construção do Rodoanel Metropolitano.
A duplicação da BR-356, de Belo Horizonte a Ouro Preto, também utiliza esses recursos. O projeto prevê R$ 5 bilhões em investimentos, dos quais R$ 1,7 bilhão são do governo de Minas, originários do acordo de reparação pelo desastre de Mariana. Para o Rodoanel, o aporte do acordo de Brumadinho será de R$ 3,07 bilhões, valor superior ao investido pela concessionária responsável.
As obras de cinco hospitais regionais também são custeadas com verbas de indenização. As unidades de Teófilo Otoni e Divinópolis receberam, juntas, quase R$ 150 milhões do acordo de Brumadinho. O mesmo pacto financia as obras em Sete Lagoas (R$ 89 milhões) e Conselheiro Lafaiete (R$ 33 milhões), enquanto o hospital de Governador Valadares recebe R$ 85 milhões do acordo de Mariana.
De acordo com o jornal O Tempo, o ex-governador foi procurado para comentar se o estado conseguiria realizar as obras sem os recursos dos acordos de reparação, mas não houve resposta até a publicação da reportagem original. A conclusão de parte dos projetos ficará a cargo de seu sucessor, Mateus Simões, que assumiu o governo do estado de Minas Gerais.
