Exposição de mosaicos sobre a biodiversidade na Mata Mineira na UFJF

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O Coletivo Agrupa – Mosaico e Muralismo apresenta a exposição “ETÁ – Recortes da Mata Mineira” na Galeria do Shopping Jardim Norte. A mostra, que teve início nesta terça-feira, 31 de março, exibe 13 trabalhos que exploram a técnica do mosaico. A iniciativa visa ampliar o acesso à produção cultural e artística local, conforme a missão da Pró-reitoria de Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora (Procult UFJF).

De acordo com a UFJF, o professor Ricardo Cristofaro, um dos fundadores do grupo, informou que as obras retratam elementos da Zona da Mata Mineira. Entre os temas abordados estão o peixe Mandi, o lagarto Teiú, a borboleta Capitão-do-mato, o Quati e a Perereca-de-folhagem. O Coletivo Agrupa foi fundado há nove anos.

Ricardo Cristofaro ressalta que a exposição reúne obras em mosaico que abordam elementos característicos da Zona da Mata Mineira (Foto: Divulgação)

Cristofaro explicou que a palavra ETÁ, em algumas línguas indígenas, significa pluralidade, abundância e variedade. Ele afirmou que “Estas características se aplicam ao ecossistema da Zona da Mata Mineira, região que se destaca pela importância e beleza de sua biodiversidade, relevo e hidrografia”. O Coletivo é composto por docentes e alunos do Curso de Artes Visuais da UFJF, artistas e membros da sociedade.

O trabalho do Coletivo é voluntário e envolve pesquisa, aprendizado, experimentação e aprimoramento de técnicas de mosaico e muralismo. A exposição inclui representações de pássaros como Saíra-douradinha e Canário-da-terra, a cobra Cascavel, e plantas como Ipê-amarelo, Bananeira-do-mato, Bromélia-imperial, Jabuticabeira, arnica e Pitangueira.

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Os artistas participantes são Antonela Sader, Ariela Martins, Bárbara Morais, Isa Fialho, Laura Carvalho, Laura Mendes, Leonardo Paiva, Clara Villa Verde, Nathália Barreiros, Regina Machado, Valéria Faria e Ricardo Cristofaro. O Coletivo Agrupa tem como objetivos o treinamento de alunos e estagiários voluntários, a oferta gratuita de oficinas e a formação de grupos de estudos e pesquisa em muralismo e mosaico.

Além disso, o grupo planeja, pesquisa e executa proposições artísticas, participando de ações e eventos. As ações educativas do Coletivo buscam promover impacto social e um efeito multiplicador cultural. Elas estimulam a criatividade e o experimentalismo no desenvolvimento de obras com durabilidade temporal, valorizando a identidade coletiva do projeto e seu alcance na promoção de engajamento social.

Peixe mandi recriado em mosaico (Obra de Ariela Martins)

Histórico do Coletivo Agrupa

Desde sua criação, o Agrupa realizou dezenas de trabalhos em pequenos e médios formatos, além de três murais de grandes dimensões. O grupo também participou de ações coletivas em outros estados brasileiros e recebeu artistas estrangeiros em proposições coletivas. Em 2017, foram instalados os projetos “Colibris” na fonte de água do Instituto de Artes e Design (IAD) da UFJF e “Mosaico Abstrato” na Cantina do IAD.

Em 2019, o Coletivo executou o “Mosaico Botânico”, um mural de 12m² no entorno da Reitoria. No ano de 2020, foi realizada a higienização e mapeamento do Mosaico “Marco de Centenário da Independência”, de Di Cavalcanti. Este trabalho resultou em uma das premiações recebidas pelo grupo.

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Antonela Sader apresenta obra em mosaico inspirada na cobra cascavel, integrante da exposição (Foto: Divulgação)

Os anos de 2020 e 2021 foram marcados pelo “Mosaico em rede”, com o desenvolvimento e a criação de 13 “fotomosaicos” durante o período de isolamento social da pandemia de Covid-19. Em 2021, a Reitoria recebeu o “Mosaico em Tributo a Guima”, projeto vencedor do edital Desperta Cultura – Lei Aldir Blanc, da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult).

Em 2022, foram instalados cinco Totens de Mosaico para o Roteiro de Socioambientalismo no Jardim Botânico da UFJF. No ano seguinte, o “Mosaico Xamum” venceu o Edital Arte no Parque – Projetos de Intervenções de Artes Plásticas no Parque Natural Municipal da Lajinha. Em 2024, o “Mosaico Conecta” humanizou a rampa de acessibilidade do Instituto de Ciências Humanas da UFJF, atual Instituto de Ciências Biológicas (ICB), ocupando 98 m².

O Coletivo iniciou 2025 com a repaginação de seu local de trabalho e a continuidade de mosaicos e murais colaborativos, focando em arte, sustentabilidade e biodiversidade. A participação na Seleção do edital do PIBART 2025/2026 também foi um destaque. A professora Valéria Faria, cofundadora do Agrupa, explicou que a execução de cada projeto envolve etapas de estudo, pesquisa, idealização e concretização das obras.

Valéria Faria, cofundadora do Agrupa (Foto: Olavo Prazeres/Tribuna de Minas)

Faria detalhou que a realização das propostas se dá pela aplicação de técnicas de mosaico. Estas técnicas incluem o recorte de peças cerâmicas com materiais específicos, como alicate torquês, cola plástica, rejunte e argamassa. O trabalho envolve materiais diversificados, como tecidos de colagem e limpeza, materiais de manuseio, manutenção, suporte, embalagem e instrumentos diversos.

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A maioria desses recursos provém da contribuição dos próprios integrantes do grupo, utilizando recursos pessoais para a manutenção do Coletivo e da arte produzida. A exposição “ETÁ – Recortes da Mata Mineira” pode ser visitada de 31 de março a 24 de abril. O local é a Galeria de Arte do Shopping Jardim Norte, situado na Av. Brasil, 6345 – Mariano Procópio.

Os horários de visitação são de segundas a quintas-feiras, das 10h às 22h; sextas e sábados, das 10h às 23h; e domingos, das 11h às 22h. A exposição é uma oportunidade para o público conhecer o trabalho do Coletivo Agrupa e a diversidade da Mata Mineira retratada em mosaicos.

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