A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) estabeleceram um Acordo de Cooperação Técnico-Científica. O objetivo é a conservação da biodiversidade e o enfrentamento da crise climática em Minas Gerais.
A colaboração ocorrerá entre fevereiro de 2026 e fevereiro de 2030. Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) mantidas pela Cemig serão transformadas em laboratórios vivos e observatórios permanentes.
O projeto é conduzido pelo Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Planejamento e Manejo da Paisagem Florestal (Nuplamflor). Este núcleo pertence ao curso de Engenharia Florestal do Instituto de Ciências Agrárias (Iciag/UFU), no Campus Monte Carmelo.
Sob coordenação dos professores Luciano França e Vicente Morais, a iniciativa conta com a parceria do Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Serão desenvolvidos estudos de mestrado e doutorado ao longo dos quatro anos de vigência.
As atividades científicas serão realizadas em duas Unidades de Conservação (UCs) privadas. São elas: a RPPN Galheiro, em Perdizes, e a RPPN Usina Coronel Domiciano, em Muriaé.
Essas áreas funcionam como espaços para monitoramento ambiental e geração de dados científicos. Tais dados subsidiam políticas de conservação e gestão territorial em Minas Gerais.
Entre os estudos previstos estão o monitoramento ambiental por sensoriamento remoto e drones, e a análise espacial de fragilidade ambiental. Também serão realizados o zoneamento de risco de incêndios florestais e o mapeamento de estoques de carbono na vegetação e no solo.
O projeto também prevê o levantamento de espécies raras da flora, ameaçadas de extinção e imunes de corte. Além disso, serão produzidos mapas temáticos, bases de dados geoespaciais, relatórios técnicos e artigos científicos para divulgação em revistas nacionais e internacionais.
Segundo Luciano França, a preparação da equipe foi fundamental para o projeto. “O foco em preparar a equipe foi uma das principais bases para conseguirmos chegar em 2026 e receber um projeto dessa magnitude, porque agora nós temos uma equipe qualificada, treinada nas metodologias e preparada para campo. Nós temos ainda, além da graduação, a pós-graduação como um grande guarda-chuva para um projeto como esse”, detalha França.
De acordo com a UFU, um dos destaques do acordo é o fortalecimento do curso de Engenharia Florestal. O curso ampliará as atividades práticas e a inserção em projetos de relevância socioambiental.
A parceria permitirá que estudantes de graduação e pós-graduação tenham contato direto com desafios reais. Estes desafios estão relacionados às UCs, mudanças climáticas, biodiversidade e planejamento ambiental em escala de paisagem.
A cooperação prevê ações de extensão universitária, como o diálogo entre universidade, setor produtivo e sociedade. Também está prevista a criação de um guia com os principais resultados das pesquisas.
O acordo prevê investimento financeiro da Cemig distribuído ao longo da vigência do projeto. A UFU, por sua vez, oferecerá contrapartidas institucionais, incluindo infraestrutura laboratorial, frota para atividades de campo, uso de laboratórios especializados e apoio técnico-científico qualificado.
Os coordenadores do projeto destacam que “Para ambas as instituições, o acordo reforça o compromisso com a produção de conhecimento científico, a formação de profissionais qualificados e a promoção de soluções sustentáveis baseadas em evidências”.
Parte dos investimentos da Cemig, sob gestão da Fundação de Apoio Universitário (FAU), será destinada à aquisição de materiais e equipamentos permanentes. Estes itens permanecerão na universidade após o término do projeto.
Esta não é a primeira parceria entre a UFU e a Cemig. A universidade sediará o Centro de Formação em Educação Climática (Cefec), uma estrutura sustentável de containers para promover a educação ambiental. As atividades do Nuplamflor podem ser acompanhadas pelo site oficial do núcleo.
