A Prefeitura de Belo Horizonte não pretende dar continuidade às obras de implantação da ciclovia na avenida Afonso Pena. O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) afirmou, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (10), que a construção, paralisada desde junho de 2024, só será retomada se houver uma determinação judicial. A estrutura passa pelo Hipercentro e pela região Centro-Sul da capital mineira.
“Se a justiça determinar que é para fazer a ciclovia, eu vou falar para o povo de BH e explicar que tenho que aplicar a ciclovia que não é de interesse da prefeitura”, declarou o prefeito. De acordo com informações do jornal O Tempo, a justificativa da gestão é a desaprovação de ciclovias em vias com grande fluxo de veículos, como é o caso da Afonso Pena.
O projeto foi idealizado na gestão anterior, de Fuad Noman, e as obras começaram em janeiro de 2024. A intervenção faz parte do programa de requalificação do Centro de BH. A previsão era implantar 4,2 km de ciclovia, conectando-a a trechos já existentes em outras avenidas e ruas da região, como Santos Dumont e Álvares Cabral.
Desde o início, a obra gerou controvérsias. Em janeiro de 2024, o então presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo (MDB), acionou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para pedir o embargo da construção. Seus argumentos incluíam o relevo da via e o tráfego intenso. Comerciantes locais também manifestaram preocupação com os possíveis impactos da ciclovia no trânsito da avenida.
Em contrapartida, grupos de ciclistas e entidades de mobilidade urbana defenderam a continuidade do projeto. O movimento BH em Ciclo, por exemplo, divulgou uma nota afirmando que a prefeitura havia realizado “estudos de tráfego, pesquisas de contagem classificada de veículos, pesquisa de velocidade média e diagnóstico dos sinistros de trânsito e das condições das calçadas e dos estacionamentos” para embasar a obra.
Os debates sobre o projeto continuam em andamento. Em março deste ano, a 1ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal notificou a administração municipal para que se manifestasse sobre um mandado de segurança. A ação foi movida por ciclistas que cobram a continuidade das intervenções e a sinalização dos trechos que já foram executados na avenida.
