A hipertensão arterial, conhecida como pressão alta, afeta aproximadamente três em cada dez adultos no Brasil. Esta condição é um fator de risco para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, doença renal, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O “Abril Vermelho” destaca a importância da prevenção e combate à hipertensão, com o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial em 26 de abril. O Dia Mundial da Hipertensão é lembrado em 17 de maio.
A Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) lançou a campanha de 2026 com o tema “Controlando Juntos a Hipertensão”. A iniciativa foca no rastreio para identificar pessoas com pressão alterada e na conscientização sobre um estilo de vida saudável.
Para compreender os impactos e a prevenção da hipertensão, foram destacados cinco fatos. As informações foram fornecidas por Valéria Nasser Figueiredo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (Famed/UFU) e integrante da SBH.
Uma doença silenciosa
A hipertensão é perigosa pela ausência de sinais de alerta. De acordo com a UFU, Valéria Nasser Figueiredo explica que, na maioria dos casos, a condição não apresenta sintomas, e muitas pessoas se sentem bem mesmo com a pressão arterial elevada.
Embora tontura e dor de cabeça possam ocorrer, não são indicadores confiáveis para o diagnóstico. O perigo reside na falta de aviso do corpo, o que pode levar a complicações graves sem tratamento.
A docente alerta que “A pessoa não sabe que tem a doença e, sem tratamento, pode evoluir para complicações graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal”. A medição regular da pressão é a única forma de identificar alterações precocemente.
Muito além do saleiro
A recomendação inicial para pressão alta é a redução do sódio. No entanto, o controle da pressão exige uma abordagem mais ampla. A professora ressalta que hábitos frequentemente negligenciados são essenciais para a saúde cardiovascular.
Ela lista a prática regular de atividade física (com meta de 150 minutos por semana), controle do peso, gerenciamento do estresse e uma dieta baseada em alimentos naturais como pilares indispensáveis. Além disso, é necessário reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e abandonar o cigarro.
Segundo a UFU, pequenas mudanças na rotina diária produzem benefícios significativos, especialmente nas fases iniciais da doença.
A juventude na mira
A hipertensão não é mais uma doença exclusiva da terceira idade. De acordo com a UFU, Valéria Nasser Figueiredo aponta um aumento de diagnósticos entre pessoas mais jovens, reflexo do estilo de vida contemporâneo.
Ela detalha que “Sedentarismo, alimentação ultraprocessada, excesso de peso, estresse e uso de álcool e tabaco têm contribuído para esse cenário”. O surgimento precoce desses fatores de risco, que antes demoravam mais a aparecer, alerta para a necessidade de prevenção desde a juventude.
O diagnóstico não é o fim
Receber o diagnóstico de uma doença crônica pode ser assustador, mas é o primeiro passo para garantir longevidade. O conselho da pesquisadora para quem descobre a condição é iniciar o acompanhamento médico imediatamente.
Ela enfatiza que a hipertensão tem controle, mas exige compromisso do paciente: adesão rigorosa ao tratamento e mudança definitiva no estilo de vida. “Mesmo sem sintomas, é fundamental manter o acompanhamento regular”, orienta Figueiredo.
Controlar a pressão no presente garante qualidade de vida e protege contra complicações futuras.
O papel da UFU na comunidade
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) atua no enfrentamento da hipertensão, integrando ensino, pesquisa e extensão. A UFU é parceira na “Campanha Menos Pressão”, promovida pela SBH, que realiza ações diretas com a comunidade.
Em Uberlândia, a mobilização ocorrerá em 25 de abril, no Terminal Central. A ação envolverá estudantes e docentes de cursos da área da saúde.
O objetivo é aferir a pressão, oferecer orientação, identificar indivíduos com níveis elevados e encaminhá-los para a rede municipal de saúde. “Essas iniciativas são importantes porque muitas pessoas descobrem alterações pela primeira vez em ações como essas, o que permite o diagnóstico precoce e o início do acompanhamento”, finaliza a UFU.
