Neste fim de semana, Belo Horizonte sediou o UAI Graffiti, um festival internacional de arte urbana que reuniu dezenas de artistas do Brasil e de outros seis países. O evento, organizado pelo coletivo Real Grapixo, transformou os muros da Escola Estadual Governador Milton Campos, conhecida como Estadual Central, com a produção de diversos murais, alterando a paisagem do local com novas cores e formas artísticas.
O festival contou com a participação de artistas de todas as regiões do Brasil e de nações como Argélia, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos e Japão. A organização do evento destinou um espaço específico no muro do colégio para cada um dos artistas, que criaram obras com temas variados, incluindo animais, rostos, flores e suas próprias assinaturas, conhecidas como “tags” no universo do grafite.
De acordo com o jornal O Tempo, o financiamento para a realização das pinturas foi viabilizado por meio de uma emenda parlamentar da deputada federal Duda Salabert (PSOL). A escolha da escola se deu por ser a primeira instituição pública da cidade, estar em uma área central e ser um local tombado pelo patrimônio histórico, além de ter um corpo discente que se interessa pela arte.
João Marcelo, conhecido como “Goma” e um dos idealizadores do festival, destacou a relevância do evento para a capital mineira. “E colocamos mais um evento assim internacional no circuito da arte do Brasil né? Porque quase todos os estados do Brasil têm um evento desse tipo, nacional ou internacional. E Belo Horizonte estava faltando Agora está acontecendo”, afirmou o artista em entrevista.
Patrick Castro, o “Manja”, viajou de Santarém (PA) para participar. “A importância desse evento pra mim é para alavancar mais a minha a minha carreira, dar mais visibilidade para o grafite na minha cidade porque lá ainda é meio repreendido (o artista) pela população devido essa diferença de piche para o grafite. E representar o grafite aqui dá mais visibilidade e credibilidade”, disse ele.
O artista paraense também falou sobre o incentivo a novos talentos. “…de poder mostrar a arte urbana e também incentivar os mais novos que estão começando. Dar mais um empurrão aí, dar mais um um esforço para cada um que está começando também. E eu estando aqui, eu sou referência para eles, né?”, completou o artista, que se vê como uma inspiração para a nova geração.
História da Escola
A trajetória do Estadual Central iniciou-se em fevereiro de 1854, com a criação do Liceu Mineiro em Ouro Preto. A instituição foi transferida para Belo Horizonte em 1898 e, em 1943, foi renomeada para Colégio Estadual de Minas Gerais. A escola passou a funcionar no endereço atual em 1956, recebendo o nome de Escola Estadual Governador Milton Campos.
A denominação Estadual Central surgiu em 1973, quando anexos do colégio foram instalados em outras partes da cidade. O projeto arquitetônico do prédio é de Oscar Niemeyer, que concebeu o bloco das salas de aula no formato de uma régua, a caixa-d’água como um giz, a cantina como uma borracha e o auditório como um mata-borrão, antigo instrumento de escrita.
Diversas personalidades estudaram na instituição ao longo de sua história. Segundo informações do jornal O Tempo, a lista de ex-alunos inclui a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Getúlio Vargas, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, o escritor Fernando Sabino e o cartunista Henfil, entre outros nomes que passaram pelos corredores da tradicional escola mineira.
