Uma mulher de 45 anos, mãe de 13 filhos, denunciou à Polícia Militar ter sido vítima de violência doméstica por 23 anos em Peçanha, na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Ela acusa o companheiro, de 56 anos, de agressões e de mantê-la em cárcere privado durante o relacionamento, resultando em uma denúncia formal após mais de duas décadas de abusos.
De acordo com o boletim de ocorrência, citado pelo jornal O Tempo, a vítima relatou ter sofrido agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais. Ela também afirmou que era impedida de sair de casa e de manter contato social. A mulher ainda associou problemas de saúde no útero às sucessivas gestações que teve ao longo dos anos de convivência com o agressor.
O registro policial aponta que o homem a proibia de utilizar métodos contraceptivos, o que resultou nas 13 gestações. Conforme o depoimento, ela era frequentemente ameaçada e agredida, e os filhos do casal também teriam sido alvos de violência por parte do pai. O caso expõe um longo histórico de abusos no ambiente familiar na zona rural do município.
Apoio do CRAS e fuga da vítima
A fuga ocorreu no último dia 17 de abril. Segundo o depoimento da vítima à polícia, ela aproveitou um momento em que o companheiro não estava na residência para deixar o local. A mulher conseguiu levar os filhos e apenas os documentos pessoais da família, buscando ajuda para encerrar o ciclo de violência que perdurava por mais de duas décadas.
Após escapar, a mulher procurou o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do município, que ofereceu apoio imediato. O órgão viabilizou o transporte da família para Belo Horizonte, orientando a vítima a recomeçar a vida na capital e, posteriormente, tomar as medidas legais para afastar os filhos do convívio com o agressor, garantindo a segurança de todos.
A vítima informou às autoridades que nunca havia denunciado o companheiro por sentir medo constante e pela dificuldade de acesso a meios de comunicação, uma vez que vivia em uma área isolada. A partir do registro da ocorrência, o caso passou a ser investigado pelas autoridades competentes para apuração dos fatos relatados e adoção das medidas cabíveis.
