**Garimpeiros do Alto Rio Doce aprovam novo acordo**
Garimpeiros tradicionais do Alto Rio Doce aprovaram, por unanimidade, o Novo Acordo do Rio Doce em assembleias realizadas nos municípios de Acaiaca, Barra Longa e Mariana (distrito de Monsenhor Horta), em Minas Gerais. Mais de 700 trabalhadores garimpeiros aceitaram as medidas do Anexo 3, que garantem reparação coletiva e participação ativa na gestão dos recursos.
De acordo com Adriana Aranha, gerente extraordinária do Rio Doce na Anater/MDA, o Anexo 3 serve como um guia para que as comunidades decidam como aplicar os recursos. “É um processo que assegura a participação direta das famílias atingidas”, afirmou.
O processo de consulta começou em junho de 2025, com a criação da gerência extraordinária do Rio Doce. Suelen Aires Gonçalves, coordenadora de Povos e Comunidades Tradicionais, destacou o diálogo direto com as comunidades. “A consulta foi concluída dentro do prazo, com ampla legitimação”, disse.
A Fundação IPEAD, vinculada à UFMG, foi responsável pela consulta. Fabricio Missio, presidente da instituição, ressaltou a mobilização territorial e a construção de confiança. “O resultado mostra que é possível conduzir processos complexos respeitando direitos e saberes tradicionais”, explicou.
**Expectativa de retomada econômica**
Lideranças garimpeiras comemoraram a aprovação como uma vitória histórica após dez anos de espera. Sérgio Papagaio, da Associação dos Garimpeiros Tradicionais do Alto Rio Doce (Agita), definiu o momento como “parte do dever cumprido”. Hermínio Nascimento destacou a expectativa de retomada econômica. “A prioridade agora é reconstruir as condições de trabalho”, afirmou.
Davi Eustáquio Teixeira, 74 anos, garimpeiro desde 1991, emocionou-se com a conquista. “É uma grande vitória para a comunidade”, disse. Márcia Mary Silva, 51 anos, celebrou a decisão e lembrou daqueles que não puderam ver o resultado. “Nossos pais iam ficar felizes com essa vitória”, comentou.
**Quem são os garimpeiros tradicionais?**
Reconhecidos como comunidade tradicional de relevante interesse cultural, os garimpeiros atuam há gerações na bacia do Rio Doce, extraindo ouro manualmente. O rompimento da barragem de Fundão impactou seus modos de vida, tornando a reparação ainda mais significativa.
*Texto: Manoela Frade e Cristiane Teixeira, Núcleo de Comunicação Social GEREX/Anater/MDA*
*Publicado originalmente no portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).*
