Belo Horizonte e sua região metropolitana alcançaram o 70º lugar global na 11ª edição do Desafio Mundial da Natureza Urbana, realizada em abril. A competição envolveu cidades de todo o mundo na coleta de dados sobre a vida silvestre urbana, utilizando a plataforma iNaturalist para registrar plantas, animais e fungos.
A posição alcançada em 2024 representa uma melhora em relação a 2023, quando a região ficou em 81º lugar entre 700 cidades. No cenário nacional, Belo Horizonte e região metropolitana obtiveram a 2ª posição em número de espécies registradas e o 1º lugar em número de observadores participantes, superando São Paulo.
Durante o período do desafio, de 24 a 27 de abril, foram realizados 10.226 registros de 1.768 espécies de animais, plantas e fungos na região. Globalmente, o evento contabilizou mais de 2,8 milhões de registros de mais de 74 mil espécies.
Belo Horizonte e região metropolitana também registraram 40 espécies pela primeira vez na plataforma iNaturalist, incluindo a Maxantonia bahiana (inseto) e a Kielmeyra negleta (planta). Entre as espécies registradas, 25 são endêmicas da região e 21 estão classificadas como ameaçadas de extinção.
Ciência-cidadã
O Desafio Mundial da Natureza Urbana, iniciado em 2016, é uma iniciativa de ciência-cidadã que visa à preservação ambiental. É liderado mundialmente pela Academia de Ciências da Califórnia (CAS) e pelo Museu de História Natural do Condado de Los Angeles (NHM).
Em Belo Horizonte e Região Metropolitana, a coordenação é feita pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) – Prefeitura de Belo Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Centro Universitário UNA, Instituto Estadual de Florestas – Governo de Minas Gerais, Ecoavis, Waita – Instituto de Pesquisa e Conservação, SESC-MG e Fundação Biodiversitas.
Para preparar a população, a FPMZB, com o apoio de parceiros, promoveu ações educativas e oficinas sobre o uso da plataforma iNaturalist. Essas atividades foram direcionadas a visitantes de parques, equipes de ONGs, coletivos, professores e alunos de escolas públicas municipais.
Durante os quatro dias da competição, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e as demais instituições participantes ofereceram uma programação gratuita em parques municipais e estaduais, na Zoobotânica, em museus e campus universitários.
Equipes de voluntários auxiliaram nos registros e promoveram atividades educativas, como trilhas ecológicas, que fazem parte da programação rotineira da FPMZB. Gelson Leite, presidente da FPMZB, afirmou que o Desafio incentiva a relação com a biodiversidade e amplia o conhecimento científico.
“Ao registrar a biodiversidade urbana por meio do iNaturalist, qualquer pessoa, sendo especialista ou não, ajuda na conservação do meio ambiente, inspirando descobertas e atuando ativamente e de forma colaborativa nas ações de conservação e preservação da natureza adotadas por organizações em todo o mundo”, disse Leite.
iNaturalist
A plataforma iNaturalist é gratuita e permite que usuários maiores de 12 anos registrem espécies. O processo envolve fotografar ou gravar sons de animais, registrar o local e a data. A comunidade científica da plataforma valida as informações, garantindo a confiabilidade dos dados.
Os dados classificados como “em nível de pesquisa” são disponibilizados no GBIF, um repositório global de dados sobre biodiversidade. Essas informações contribuem para o entendimento da natureza e servem como referência para pesquisadores e gestores públicos em estudos e decisões de conservação.
Dessa forma, amadores e profissionais se tornam cientistas cidadãos, contribuindo para a ampliação de dados científicos e para a formulação de políticas de conservação da biodiversidade.
Resultados
Resultados de Belo Horizonte e região metropolitana no ranking brasileiro do Desafio Mundial da Natureza:
Número de espécies registradas:
1º) São Paulo: 2.016
2º) Belo Horizonte e Região Metropolitana: 1.768
3º) Santa Teresa – ES: 1.53
Número de observações (postagens no iNaturalist):
1º) São Paulo: 32.251
2º) Belo Horizonte e Região Metropolitana: 10.226
3º) Santa Teresa – ES: 7.145
Número de observadores (participantes):
1º) Belo Horizonte e Região Metropolitana: 403
2º) São Paulo: 400
3º) Grande Curitiba: 159
Espécies mais observadas em BH e região metropolitana:
1º) Aranha-de-teia-dourada
2º) Pau-jacaré
3º) Mico-estrela
4º) Macaúba
5º) Aranha-de-funil
6º) Canário-da-terra
