O projeto de extensão Café com Bit, da Faculdade de Computação da Universidade Federal de Uberlândia (Facom/UFU), retomou suas atividades. O objetivo é discutir temas de ciência e tecnologia de forma acessível, aproximando a sociedade da produção acadêmica.
Murilo Alves Beppler, estudante de Ciências da Computação e integrante do projeto, observa que a linguagem da computação pode ser complexa para o público geral. O podcast é coordenado pelo professor Paulo Henrique Ribeiro Gabriel.
Além de Beppler, participam da produção os estudantes Kaike de Morais Carvalho (Ciência da Computação) e Lucas Gabriel dos Reis França (Sistemas de Informação). O projeto realiza entrevistas em formato de videocast.
Os convidados incluem professores, pesquisadores, pós-graduandos e profissionais do mercado. O Café com Bit explora ideias, carreiras e possibilidades no campo da tecnologia.
Início e Retomada do Projeto
O Café com Bit foi criado durante a pandemia de covid-19 por Ribeiro e pelos professores Rodrigo Sanches Miani e Henrique Coelho Fernandes. Segundo Ribeiro, a época foi “bastante tumultuada pra ciência”.
A proposta inicial visava divulgar as pesquisas da faculdade para os próprios estudantes. Ribeiro notou que “tinha aluno que chegava no fim do curso e não sabia o que cada professor fazia”.
Na primeira fase do projeto, cerca de 20 entrevistas foram realizadas e publicadas. Os episódios eram gravados remotamente e disponibilizados no YouTube, com docentes da Facom, pesquisadores de outras universidades e profissionais do mercado.
A retomada ocorreu após o interesse de estudantes da graduação em dar continuidade ao projeto. Beppler procurou Ribeiro para reativar o podcast, e a dinâmica de produção foi organizada com maior protagonismo dos alunos.
Beppler afirma que conversou “exatamente sobre ter um papel mais proativo dos alunos, de serem os entrevistadores, conseguirem editar e controlar o Instagram”. O projeto também recebeu uma nova identidade visual, desenvolvida pela estudante de Design da UFU Mariana Martins.
Desafios da Divulgação Científica
Na nova fase, o Café com Bit já publicou um episódio e tem três em produção. Os temas abordados incluem inteligência artificial, neurociência, processamento de imagens e trajetórias acadêmicas em computação.
Entre os convidados estão os professores Murilo Carneiro e Daniel Abdala, as pesquisadoras Roxanne Silva Julia, Beatriz Borges e Giovanna Oliveira Martins, e Ferdinando Kun e Lucas Montanheiro, da empresa UberHub.
Um dos objetivos dos alunos é apresentar conteúdos técnicos de forma compreensível para pessoas fora da área da computação. De acordo com Beppler, essa preocupação está presente na elaboração das entrevistas.
Beppler explica: “Eu sempre tento, no meu roteiro, pensar quais palavras podem ser mais difíceis, que alguém pode se perder. Eu paro na hora ali com o entrevistado e peço pra fazer analogias ou explicar de uma maneira mais acessível”.
Ribeiro destaca que a divulgação científica é importante para a formação do senso crítico da população, especialmente com a circulação de informações sobre tecnologia. Ele exemplifica: “Com tanta coisa sendo falada sobre a inteligência artificial, é importante saber o que é isso e como é usado”.
A representatividade feminina na computação é outra questão que pode ser abordada pelo projeto. Ribeiro observa, referindo-se às entrevistadas de um episódio: “Elas estão trabalhando com ciência e trabalhando com computação, que é uma área masculinizada pela própria quantidade de professores e homens nela”.
Na UFU, projetos como o Café com Bit, o Café na Química (do Instituto de Química) e o Ciência ao Pé do Ouvido (da Divisão de Divulgação Científica) exploram novas formas de comunicar ciência.
Ribeiro ressalta que essas iniciativas aproximam a sociedade da universidade pública e do trabalho dos pesquisadores. Ele completa: “A partir do momento que a sociedade conhece o que a gente faz, ela entende o que pode estar motivando algumas questões e talvez participe mais dessa cobrança”.
Os episódios são publicados mensalmente no Canal Café com Bit no YouTube. Conteúdos e atualizações também são divulgados pelo Instagram oficial do projeto.
