Foto: Reprodução/Parkinson’s Foundation
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Kauê Costa entra na lista de jovens cientistas promissores

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O biólogo e neurocientista brasileiro Kauê Costa, de 36 anos, foi incluído na lista de 28 jovens cientistas em ascensão da revista Scientific American. Natural do Pará, ele atualmente é professor associado na Universidade de Birmingham, no Alabama, Estados Unidos. Sua carreira internacional inclui um doutorado no Instituto Max Planck, na Alemanha, e um pós-doutorado no Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (Nida), nos EUA.

Costa atribui a indicação ao seu ex-orientador, Geoffrey Schoenbaum. “Acredito que estou [na lista] porque meu ex-orientador me indicou”, afirmou. De acordo com informações do jornal O Tempo, a equipe editorial da Scientific American analisou centenas de candidatos para compor a lista, considerando o impacto científico de seus trabalhos. Durante o pós-doutorado, Costa publicou 14 artigos em revistas científicas de prestígio.

A trajetória acadêmica do pesquisador começou na Universidade Federal do Pará (UFPA), onde cursou ciências biológicas e teve o primeiro contato com a neurociência. Ele realizou mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Embora seu interesse inicial fosse a fauna e flora amazônicas, na graduação descobriu sua vocação para a pesquisa em laboratório, focada no funcionamento do cérebro.

A pesquisa do cientista foca no sistema dopaminérgico, investigando o papel da dopamina no mecanismo de erro de previsão de recompensa, um processo fundamental para o aprendizado. Seu trabalho busca entender como o neurotransmissor atua em diferentes escalas, desde o funcionamento de neurônios e circuitos cerebrais até a criação de modelos computacionais capazes de prever matematicamente esses processos biológicos.

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“Percebemos que a dopamina não está envolvida apenas em mecanismos de erro e acerto. Algumas regiões cerebrais geram representações cognitivas do mundo, e a dopamina também parece sinalizar erros de previsão relacionados a esses estados”, explica. Em seu laboratório, os estudos combinam modelos animais, como ratos e camundongos, com ferramentas computacionais para formular hipóteses e prever resultados.

Um de seus trabalhos de maior impacto surgiu da descoberta de que uma linhagem de camundongos transgênicos, amplamente usada em estudos dopaminérgicos, apresentava alterações comportamentais causadas pela própria modificação genética. Essa constatação levou à reavaliação de resultados anteriores obtidos com o modelo. “Muitos pesquisadores poderiam simplesmente ignorar os dados. Eu preferi investigar o que estava acontecendo”, afirma o cientista.

Casado e pai de dois filhos, Costa não planeja retornar ao Brasil de forma permanente, mas mantém uma rede de colaboradores em sua cidade natal, Belém. Como forma de se conectar às suas origens, o logotipo de seu laboratório foi inspirado na arte marajoara. “Alguém do Norte, com uma história e ascendência cabocla e indígena, como a minha, é ainda mais raro”, afirmou.

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