O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou a Operação Máscara Oculta nesta quarta-feira, 5 de agosto, para investigar crimes de estelionato digital, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A ação ocorreu por meio da Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção (UCC) – Regional de Varginha.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte e Contagem, resultando na apreensão de celulares, computadores, notebooks e pen drives para perícia. O MPMG solicitou mandados de prisão, mas o pedido não foi concedido pela Justiça.
As investigações indicam que os suspeitos criavam perfis falsos em redes sociais para atrair pessoas interessadas em investimentos. As vítimas eram adicionadas a grupos de mensagens e orientadas a realizar depósitos em empresas de fachada, que se apresentavam como gestoras do mercado financeiro.
De acordo com o MPMG, as empresas eram abertas em nome de laranjas, operavam por um curto período e utilizavam nomes atrativos para simular atuação no mercado financeiro. Mentores com identidades falsas orientavam as vítimas, e outros integrantes do esquema se passavam por investidores bem-sucedidos para incentivar novos depósitos.
Daniel Ribeiro Costa, Coordenador Regional de Defesa da Ordem Econômica e Tributária de Varginha, afirmou: “Os investigados ofereciam iscas para cooptar pessoas interessadas em fazer investimentos. A engenharia criminosa usava uma série de mecanismos tecnológicos para ganhar a confiança de que aquele investimento poderia efetivamente render frutos às vítimas. É importante alertar a população para não acreditar em ganhos fáceis e investimentos que prometem retornos fora do padrão do mercado.”
Após receberem os valores, os investigados realizavam transferências sucessivas e encerravam as empresas. As vítimas percebiam o golpe ao tentar sacar o dinheiro. Em seguida, os suspeitos criavam novos perfis e empresas para reiniciar o esquema.
Igor Serrano Silva, Coordenador do Gaeco – Varginha, declarou: “Se a criminalidade se desenvolveu a ponto de criar um esquema criminoso tão bem feito, o Estado, da mesma maneira, tem que se dedicar a criar estruturas para enfretar esses crimes, especialmente, agora, nos meios virtuais. E é fundamental, também, que o cidadão passe a compreender a existência e a forma de prática desses crimes para que não caia nesses golpes.”
O número total de vítimas e os valores movimentados ainda estão sendo apurados. As empresas já identificadas movimentaram mais de R$ 15 milhões. Uma dessas empresas, ativa por cerca de dois meses, recebeu mais de R$ 5 milhões em depósitos.
A operação contou com a participação de dois promotores de Justiça, um delegado de Polícia e 26 policiais militares. A investigação foi conduzida pela UCC – Regional de Varginha, com apoio do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet) de Varginha e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Varginha.
Em coletiva de imprensa, os promotores de Justiça Daniel Ribeiro Costa e Igor Serrano Silva, o delegado da PCMG Pedro Paulo Marques e o capitão da PMMG Rafael Veríssimo detalharam a ação. O vídeo da coletiva está disponível no YouTube:
