O campus Governador Valadares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF-GV) iniciou ações para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na saúde pública da região Macro Leste. Em 18 de junho, foi lançado o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), que em sua 13ª edição, aborda o tema do clima.
Este primeiro ciclo integrador do ‘PET-Saúde Clima: Emergência Climática, Território e Saúde Pública’ reuniu membros da comunidade acadêmica, profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), e representantes das secretarias estadual e municipais de saúde, além da Superintendência Regional de Saúde.
A programação incluiu palestras de Txawã Pataxó Elizeu da Silva Souza e Maryana Santos Vasconcelos Marques, ambos do DSEI, e de Vanderson dos Reis Lima, servidor da Secretaria de Saúde de Governador Valadares. As discussões foram mediadas por Bruno Franco Alves, professor do curso de Direito da UFJF-GV.
Embora os participantes do programa tenham iniciado as atividades em 3 de junho, o evento de 18 de junho marcou a apresentação oficial e a primeira reunião presencial de toda a equipe. A ocasião serviu para que os envolvidos conhecessem as atividades a serem desenvolvidas e as questões relacionadas a clima, ambiente e saúde na região.
Outros ciclos integradores estão previstos durante os 24 meses de vigência do PET-Saúde Clima, com o objetivo de acompanhar as fases do programa. Dois eventos adicionais serão dedicados à comunidade e aos gestores dos 50 municípios participantes da iniciativa.
Metodologia de Trabalho do PET-Saúde Clima
Os 64 membros do programa, divididos em cinco equipes, realizarão uma imersão nos 50 municípios da Macrorregião Leste. A equipe é composta por estudantes de todos os cursos do campus, professores dos dois institutos, profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e do DSEI, além de um engenheiro ambiental da prefeitura de Governador Valadares.
Eles observarão como o território aborda situações ligadas ao clima e ao meio ambiente. De acordo com a coordenadora do PET-Saúde Clima na UFJF-GV, Meirele Rodrigues Gonçalves, as atividades incluirão visitas a órgãos como o Comitê de Operações Especiais da Defesa Civil.
Meirele Rodrigues Gonçalves detalha que a equipe buscará entender como o SUS atende às demandas relacionadas a emergências climáticas e ambientais. Também serão realizados contatos com movimentos sociais, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e a Cáritas.
A coordenadora explica que o trabalho envolverá diagnóstico, identificação de problemas, planejamento e execução de intervenções. Além disso, serão realizadas ações de monitoramento e avaliação do impacto das atividades desenvolvidas pelo programa.
Os participantes do programa, conhecidos como petianos, analisarão os programas do setor de vigilância em saúde ambiental, que monitoram a qualidade do ar, da água e do solo. Um dos objetivos do PET-Saúde Clima é assegurar que todos os municípios possuam planos de contingência funcionais.
O principal objetivo do programa é “deixar o SUS mais resiliente e menos reativo a eventos climáticos”, afirma Meirele Rodrigues.
Meirele enfatiza que o programa visa identificar pontos a serem fortalecidos nos programas existentes e propor a organização de comitês e planos de contingência nos municípios. O objetivo é que, em caso de emergência, a população saiba a quem recorrer e o que fazer.
A coordenadora afirma que os municípios sem planos de contingência receberão auxílio para elaborá-los, e aqueles que já os possuem terão seus planos fortalecidos. A meta é que 100% do território tenha planos de contingência para enfrentar questões climáticas e ambientais.
O programa também busca compreender que as mudanças climáticas afetam diferentes grupos de maneiras distintas. Meirele explica que o objetivo é mapear os grupos mais vulneráveis, entender como são impactados e trabalhar com a justiça climática, priorizando o atendimento aos mais necessitados.
Segundo Meirele, o trabalho desenvolvido ao longo dos dois anos do PET-Saúde Clima tem como finalidade “Deixar o SUS mais resiliente e menos reativo a eventos climáticos”. Este foco busca fortalecer a capacidade de resposta do sistema de saúde diante de eventos extremos.
Rebeca Camargos, estudante de Administração, e Thassyla Rodrigues Alves Costa, estudante de Fisioterapia, estão entre os 40 alunos do campus envolvidos no programa. Rebeca considera o PET um “projeto incrível” e destaca a importância do atendimento primário nas unidades básicas de saúde.
Rebeca ressalta que o programa promove a “articulação com a comunidade, especialmente, os mais vulneráveis”. Thassyla expressa entusiasmo com sua participação, afirmando que o tema é “super urgente e mexe com a nossa região, que sente na pele, todos os dias, as temperaturas elevadas”.
Thassyla também destaca a relevância da integração entre estudantes das áreas sociais e de saúde. Ela considera que essa colaboração permite “olhar as pessoas e os problemas climáticos de forma completa”. A estudante manifesta o desejo de “colocar a mão na massa o mais rápido possível e aprender com o saberes culturais de outras comunidades”.
O PET-Saúde é um programa do Ministério da Saúde, criado em 2008, que visa aproximar estudantes, professores, profissionais da área, gestores e comunidades. A iniciativa promove a formação em saúde com base nas necessidades dos territórios.
Instituições interessadas apresentam projetos, e as propostas selecionadas recebem recursos para execução. Em Governador Valadares, a UFJF-GV tem se destacado, liderando diversas edições do programa.
