Em 10 de agosto, a UFMG concluiu a cerimônia de reparação histórica à técnica-administrativa Elza Pereira da Costa, 82 anos, exonerada e expulsa da universidade durante o regime militar. A homenagem foi entregue em sua casa em Iperó (SP), após impedimentos de saúde e familiares que a impediram de comparecer ao evento em Belo Horizonte em 2024.
De acordo com a UFMG, Elza foi servidora no laboratório central da Faculdade de Medicina e estudante de Odontologia antes de ser perseguida. “Dedico essa placa aos mortos, aos desaparecidos na luta e aos que continuam a luta”, declarou. Ela afirmou ter recebido a homenagem com carinho, apesar de não poder estar presente na cerimônia original.
Wellington Marçal de Carvalho, vice-diretor da Biblioteca Universitária da UFMG, foi o responsável por levar a placa. “Firmamos o compromisso de trazer a homenagem quando fosse possível”, disse. Elza nasceu em Sorocaba (SP) e se mudou para Minas Gerais após ser aprovada no vestibular de Odontologia.
Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Elza foi presa duas vezes. Na segunda prisão, foi levada ao presídio feminino em Belo Horizonte. Após ser solta, fugiu para o Uruguai e depois para o Chile, onde conheceu o marido, Pedro França Viegas. A notícia de sua expulsão da UFMG chegou durante o exílio.
Reparação histórica
Em 24 de setembro de 2024, a UFMG homenageou Elza, Irany Campos, dois professores e quatro estudantes mortos pela ditadura. Os nomes constam no relatório da Comissão da Verdade de Minas Gerais. Diferentemente dos professores e estudantes, Elza e Irany nunca tiveram readmissão oficial após a exoneração.
Localizar Elza após quase 60 anos foi uma tarefa do Sindifes-MG em parceria com a UFMG. Uma comissão rastreou notícias até encontrar uma reportagem de 2023 indicando sua residência em Iperó. Em 2024, Elza e outros homenageados deram depoimentos ao Portal UFMG. A Rádio UFMG Educativa também produziu a série Retratos sonoros sobre as trajetórias dos perseguidos.
