O produtor Rodrigo Teixeira avaliou, durante o Festival de Cinema de Gramado, que os filmes mineiros “Nosso Segredo” e “Vicentina Pede Desculpas” têm potencial para uma indicação ao Oscar. No entanto, ele destacou que o caminho até a premiação é complexo, envolvendo altos custos de campanha, a necessidade de uma distribuidora nos Estados Unidos e uma forte concorrência internacional. A análise ocorreu na última sexta-feira (21), durante um debate no evento.
A avaliação foi feita durante uma discussão sobre o filme chileno “La Perra”, produzido por Teixeira e exibido no festival. De acordo com informações do jornal O Tempo, ao ser questionado sobre as chances dos filmes brasileiros, ele afirmou que, embora sejam bons títulos, o percurso até a lista de pré-indicados da Academia é muito difícil, e ter uma distribuidora nos EUA é um fator crucial para a campanha.
Teixeira assinalou que uma campanha para o Oscar envolve um alto investimento financeiro. Além disso, exige a permanência de meses nos Estados Unidos para garantir que os membros da Academia e pessoas influentes assistam ao filme. Ele ressaltou a importância de ter personalidades importantes apresentando a obra para aumentar sua visibilidade junto aos votantes, um passo fundamental no processo de divulgação.
Ele lembrou que, em campanhas anteriores, personalidades como Walter Salles, Fernanda Torres, Selton Mello, Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho passaram longos períodos nos Estados Unidos para a divulgação de seus filmes. “O Selton ficou dois meses nos Estados Unidos, sem vir para o Brasil. A Fernanda ficou três meses”, relatou Teixeira, ilustrando a dedicação exigida para uma campanha na premiação.
O produtor, que sofreu um infarto há cerca de dois meses, descreveu o desgaste físico das campanhas. “Eu fiz 16 viagens intercontinentais em seis meses. O seu corpo destrói”, disse. Ele ponderou que, para chegar ao Oscar, os cineastas brasileiros concorrerão com aproximadamente 260 filmes de todo o mundo que são apresentados nos principais festivais internacionais, tornando a competição acirrada.
Desafios da Distribuição e Votação
No caso específico de “Vicentina Pede Desculpas”, que será lançado pela Netflix, Teixeira aponta uma dificuldade adicional. Uma declaração de um executivo da plataforma, afirmando que a empresa não se preocupa em fazer filmes para cinema, pode afastar votos. “Essa frase, publicada no ‘New York Times’, acaba tirando uma quantidade absurda de votos”, analisou o produtor sobre o possível impacto negativo.
Teixeira também mencionou que a Netflix pode optar por concentrar seus esforços de campanha em outro filme, como o espanhol “La Bola Negra”. Ele enfatizou a importância de desmistificar o processo de votação do Oscar, que conta com 11 mil votantes. Se um filme não for visto por essas pessoas, principalmente por falta de uma boa distribuição nos EUA, as chances diminuem drasticamente.
“Primeiramente, temos que conquistar os 85 votantes brasileiros que estão na Academia (de Hollywood). Se dividir esses votos, já perdeu”, explicou. O passo seguinte, segundo ele, é convencer os votantes latino-americanos a apoiarem o representante do Brasil. A ausência de um concorrente forte de outro país da região pode facilitar a canalização dos votos para a produção brasileira, como ocorreu em anos anteriores.
