O compositor Fernando Brant, que faleceu em junho de 2015, teria completado 80 anos nesta sexta-feira (9). Para marcar a data, amigos, familiares e parceiros musicais realizam uma homenagem no Bar e Museu Clube da Esquina, em Belo Horizonte. O evento contará com um show e a inauguração de uma mesa de honra em nome do artista, uma das figuras centrais do Clube da Esquina.
“Eu me lembro dele todos os dias”, diz Tavinho Moura sobre o amigo e parceiro Fernando Brant. De acordo com informações do jornal O Tempo, a memória do cantor remete a uma viagem de trem para Sabará no início dos anos 1980, onde uma das crianças presentes confundiu o Rio das Velhas com o mar. A cena inspirou a música “As Meninas No Trem de Sabará”.
Tavinho Moura conheceu Fernando Brant em 1967, na Cantina do Lucas, em Belo Horizonte, durante a comemoração pelo segundo lugar de “Travessia” no Festival Internacional da Canção. A amizade, que começou na varanda da casa dos pais de Brant, se estendeu por canções, conversas sobre cinema e parcerias que se tornaram parte da história da música popular brasileira.
Foi Fernando quem apresentou a obra de Federico Fellini a Tavinho, que relata ter aprendido a gostar do diretor italiano por influência do amigo. John Ford, mestre dos faroestes, também era tema recorrente nas conversas. “Converso com ele todos os dias, falo sobre meus problemas. Ele está presente”, conta Tavinho Moura sobre a contínua presença do parceiro em sua vida.
O Legado do Poeta
O historiador Bruno Viveiros está preparando um perfil biográfico de Fernando Brant. O trabalho, em fase de captação de recursos, irá pesquisar arquivos pessoais, como letras manuscritas e diários, além de documentos da censura durante a ditadura militar. O objetivo é reconstruir a trajetória do compositor para além da música, destacando sua atuação em cargos públicos e debates sobre cultura.
Para o historiador, autor de “Clube da Esquina: Trajetória Musical em Belo Horizonte”, a figura do letrista muitas vezes fica em segundo plano. Viveiros refere-se a Brant como um “poeta cívico”, justificando que suas letras abordavam temas como amizade, justiça e liberdade. A canção ‘Coração Civil’ é citada por ele como uma síntese da poesia do compositor mineiro.
Isabel Brant, filha do letrista, gerencia há quase 20 anos o catálogo do pai, que inclui cerca de 300 composições. Entre elas estão obras como “Travessia”, “Canção da América” e “Maria Maria”. Ela relata uma demanda constante pela obra, com solicitações para regravações, uso em trilhas sonoras e publicação de letras em materiais didáticos, o que demonstra a permanência do trabalho de Brant.
“Acredito que essa permanência vem do fato dele abordar temas e sentimentos comuns a todos e sempre de maneira simples e verdadeira. Uma obra que fala de amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor, e também de utopia, justiça, liberdade e sonho. Palavras que sempre nortearam a sua forma de ver o mundo e as suas relações”, destaca Isabel.
Memória, música e poesia
A cantora Mariana Brant, sobrinha do compositor, prepara o show “Meu Jeito Sonhador – Fernando Brant 80 anos”. Ela dividiu a estrada com o tio por 14 anos no espetáculo “Conspiração dos Poetas” e participou do último projeto em que Fernando se envolveu. “Lembro dele como uma pessoa muito alegre, que queria sempre aproximar as pessoas, ter todo mundo muito perto, trocar histórias”, comenta.
Geraldo Vianna, parceiro de Brant em cerca de 30 canções, recorda que a conversa entre os dois era quase diária. Segundo o jornal O Tempo, a principal lembrança do músico envolve os encontros às segundas-feiras para escolher filmes em uma locadora, evidenciando a paixão de ambos pelo cinema. Vianna destaca a simplicidade e a emoção na poesia de Brant, definindo-o como um “poeta da vida”.
Programe-se
O quê. Show de Marilton Borges e Rodrigo Borges e inauguração da Mesa de Honra Fernando Brant
Quando. Nesta sexta-feira (9), a partir das 21h
Onde. Bar e Museu Clube da Esquina (Rua Paraisópolis, 738 – Santa Tereza)
Ingressos. R$ 60 na plataforma Sympla
