O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou no sábado (10/10) o CTVacinas da UFMG, onde é desenvolvida a Vivaxin, primeira vacina contra o Plasmodium vivax, parasita causador da forma mais comum de malária no Brasil. A Anvisa autorizou na quarta-feira (7/10) o início dos testes em humanos.
Padilha acompanhou pesquisas nos laboratórios e participou de apresentação no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC). De acordo com a UFMG, o CTVacinas se consolida como referência nacional no desenvolvimento de vacinas.
Investimentos e parcerias
O ministro destacou investimentos de R$ 133,5 milhões em pesquisas da UFMG, incluindo R$ 60 milhões para o Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA). Ele citou também parceria recente entre a UFMG e a Hemobrás para tratamento de hemofilia.
Segundo dados apresentados, o Brasil registrou em 2024 a menor taxa de malária em 47 anos, com menos de 50 mortes anuais. No entanto, a doença causada pelo P. vivax teve 9,9 milhões de casos globais no mesmo período.
Desenvolvimento da vacina
Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas, afirmou que a experiência com a vacina SpiN-TEC contra covid-19 foi fundamental para o desenvolvimento da Vivaxin. A SpiN-TEC já concluiu fases 1 e 2 de testes.
Daniela Marreco, da Anvisa, destacou que a agência criou um comitê de inovação para acelerar análises de tecnologias como a Vivaxin. A vice-reitora da UFMG, Alamanda Kfoury, ressaltou o papel da universidade no fortalecimento do SUS.
Testes clínicos
Os testes de fase 1 serão realizados no Hospital das Clínicas da UFMG com 48 voluntários saudáveis, entre 18 e 59 anos. O estudo avaliará segurança e resposta imunológica em três dosagens diferentes, com acompanhamento por 360 dias.
A vacina, desenvolvida em parceria com USP e Cristália, mostrou-se estável em temperatura ambiente, facilitando distribuição pelo SUS. A expectativa é que os testes comecem nos próximos meses.
