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Mulheres são responsáveis por 71% dos lares beneficiados pelo Bolsa Família que superaram a insegurança alimentar no Brasil entre 2023 e 2024. Os dados foram divulgados em um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), que analisou o impacto do programa na segurança alimentar das famílias.
De acordo com a pesquisa, 670 mil domicílios liderados por mulheres passaram a ter acesso regular a alimentos básicos, de um total de quase 1 milhão de famílias que alcançaram a segurança alimentar no período. O estudo, intitulado “Mulheres no centro da redução da insegurança alimentar no Brasil”, foi apresentado em coletiva no Rio de Janeiro.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que priorizar a titularidade feminina no Bolsa Família foi decisivo para os resultados. “O governo confiou a elas essa responsabilidade, e as famílias, especialmente as com crianças, estão conquistando dignidade”, disse.
Dados sobre segurança alimentar
Entre 2023 e 2024, o número de lares do Bolsa Família em segurança alimentar liderados por mulheres cresceu 16,5%, acima do registrado entre homens (10,7%). Desde 2012, o total de famílias chefiadas por mulheres aumentou 87%, passando de 22,1 milhões para 41,3 milhões em 2024.
Segundo o estudo, em janeiro de 2026, o programa atendia 18,7 milhões de famílias, sendo 84,41% com mulheres como responsáveis. Além disso, 58,7% dos benefícios eram pagos a mulheres. Wellington Dias destacou que 92% das famílias lideradas por mulheres com crianças saíram da linha da pobreza.
Valéria Burity, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, afirmou que o Brasil reduziu a insegurança alimentar grave de 15,5% em 2022 para 3,2%. “Esse avanço foi mais intenso em domicílios chefiados por mulheres e pessoas negras”, disse.
Impacto das políticas públicas
Janaína Feijó, pesquisadora da FGV, explicou que a queda da insegurança alimentar foi mais acentuada entre beneficiários do Bolsa Família. “A mulher teve um papel central nessa redução. Mais de 84% das famílias atendidas têm uma mulher como responsável”, afirmou.
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, ressaltou que lares liderados por mulheres investem a renda de forma mais responsável. “Como mulher e mãe, sei que acessar esses recursos muda a trajetória de uma família”, declarou.
O estudo concluiu que o Bolsa Família é um instrumento decisivo de proteção social, com efeitos concretos no acesso a alimentos. A centralidade das mulheres no programa é considerada estratégica, pois fortalece sua autonomia financeira e direciona recursos para necessidades essenciais.
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