Uma nova plataforma, SoroJá, será lançada em 2026 para auxiliar na localização de hospitais com soros antiveneno no Brasil. A ferramenta busca atender à alta demanda por atendimentos de acidentes com animais peçonhentos, que, de acordo com o Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, ultrapassaram 369 mil notificações em 2025, com Minas Gerais entre os estados com maior número de registros.
O serviço, que será gratuito, funcionará em celulares e navegadores sem a necessidade de cadastro. A plataforma SoroJá utiliza a localização do usuário e cruza com dados oficiais do ministério para indicar, em segundos, a unidade de referência mais próxima para o atendimento, otimizando o tempo de resposta em situações de emergência e contribuindo para a preservação de vidas.
Para usar a ferramenta, o usuário deve acessar o site www.soroja.com.br e informar dados como cidade, estado e o tipo de acidente. A plataforma então exibe uma lista de unidades de saúde, organizadas por proximidade, com endereço, telefone e um link para o Google Maps com a rota traçada. A página também exibe uma mensagem de emergência: “Emergência? Ligue imediatamente: 192 Samu ou 193 Bombeiros”.
Como funciona a plataforma
A plataforma reúne informações dos Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (Pesa), uma rede de hospitais preparados para esse tipo de assistência. Além de indicar onde buscar atendimento, o sistema detalha qual soro pode ser necessário, já que nem todas as unidades dispõem de todos os tipos. Em Minas Gerais, 295 unidades de saúde estão cadastradas no sistema.
Para picadas de cobra, por exemplo, o tratamento pode exigir soros botrópico (jararaca), crotálico (cascavel) ou laquético (surucucu). Acidentes com escorpiões demandam soro escorpiônico, enquanto para aranhas, a indicação é de soros específicos como o fonêutrico (armadeira) e o loxoscélico (aranha-marrom). O projeto foi desenvolvido pelo empresário Eduardo Cruz, de São Paulo, após tomar conhecimento da história de uma criança que morreu por não receber o soro a tempo.
Casos em Minas Gerais
Segundo informações do jornal O Tempo, dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) mostram que Minas Gerais registrou cerca de 64 mil acidentes com animais peçonhentos em 2025. Até a primeira quinzena de março de 2026, já são aproximadamente 11 mil ocorrências, sendo a maioria dos casos envolvendo picadas de escorpiões, seguida por acidentes com aranhas e abelhas.
Um levantamento com base em reportagens do mesmo jornal mostra casos recentes no estado. Em abril de 2025, um menino de 7 anos morreu após ser picado por um escorpião em uma área rural de Mariana. Poucos dias antes, em março, outra criança, de 2 anos, também foi vítima fatal de uma picada na zona rural de Ubaporanga.
Em julho de 2025, uma menina de 12 anos foi picada pelo animal dentro de uma escola em Divinópolis, na região Centro-Oeste do estado, mas sobreviveu. Em caso de picada, a recomendação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento imediato. Se possível, a vítima deve registrar uma imagem do animal, sem se expor a riscos, para ajudar na identificação.
