A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu 15 pessoas nesta quarta-feira (29) durante a operação “Espelho Turvo”, que desarticulou uma organização criminosa especializada em fraudes digitais. O grupo criava sites falsos de órgãos públicos, como o Detran-MG, e causou um prejuízo estimado em mais de R$ 20 milhões a cerca de 1.200 vítimas em todo o Brasil.
De acordo com informações do jornal O Tempo, do prejuízo total, a justiça conseguiu bloquear R$ 10,4 milhões, referentes a vítimas do estado de Minas Gerais. A operação foi coordenada pelo Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) e os investigados presos têm entre 20 e 49 anos de idade. A investigação teve início em 2024.
O aumento expressivo de golpes envolvendo páginas falsas que imitavam os sites do Detran-MG e da Secretaria de Estado de Fazenda motivou o início das apurações. A maior parte das vítimas foi registrada entre 2024 e 2025. Os investigadores mapearam a dinâmica do crime e identificaram os integrantes do grupo, que residiam fora de Minas Gerais.
Como funcionava o golpe
Os criminosos utilizavam a técnica de “espelhamento de sites”, criando páginas com aparência idêntica às oficiais. Esses endereços fraudulentos apareciam em destaque nos resultados de mecanismos de busca, induzindo as vítimas ao erro. Ao acessarem os links, os usuários acreditavam estar em um ambiente seguro e realizavam pagamentos de impostos, como o IPVA, que eram desviados.
O dinheiro pago pelas vítimas era direcionado para contas controladas pelo grupo. “Esse dinheiro é transmitido rapidamente para várias empresas, vários CPFs, para dificultar a localização, e depois é feito o saque”, detalhou o delegado Álvaro Homero. Mesmo quando um site era bloqueado, os criminosos criavam novos domínios com pequenas alterações para continuar o esquema.
Muitas vítimas só percebiam que haviam caído em um golpe mais tarde. Elas pagavam uma ou duas parcelas de um débito e, ao tentar quitar as seguintes, notavam que os pagamentos anteriores não haviam sido registrados pelo órgão público. Com isso, a dívida com o Estado permanecia ativa e o veículo poderia até ser apreendido em uma fiscalização.
Embora os golpes tenham afetado principalmente moradores de Minas Gerais, nenhum dos investigados residia no estado. A organização criminosa atuava de forma remota, com a maior parte das ações concentrada em Imperatriz, no Maranhão. Essa estratégia foi utilizada para dificultar as investigações e a localização dos suspeitos pelas autoridades policiais.
Os envolvidos no esquema poderão responder por fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas para esses delitos podem ultrapassar 20 anos de prisão para cada um dos participantes da organização criminosa desarticulada pela operação.
Segundo o delegado Álvaro Homero, a principal recomendação para evitar cair nesse tipo de golpe é não acessar sites de órgãos públicos por meio de buscadores. A orientação é digitar o endereço oficial diretamente no navegador. Essa prática reduz o risco de ser direcionado para uma página falsa criada por criminosos.
É fundamental também verificar os dados do destinatário antes de efetuar qualquer pagamento. Órgãos públicos utilizam CNPJ oficial, e transferências para CPFs ou empresas sem relação com o Estado são indícios de fraude. “Quando é identificada uma fraude, é feito o bloqueio desses sites. O problema é que até ocorrer o bloqueio, até a identificação, ocorrem essas fraudes”, finalizou o delegado.
