Impacto do Bolsa Família na Redução da Insegurança Alimentar Grave

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O número de famílias em risco de insegurança alimentar grave no Brasil seria o dobro sem o Programa Bolsa Família, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O levantamento utiliza o Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal (CadInsan) e estima que, sem o programa, 4,7 milhões de famílias estariam vulneráveis, contra 2,3 milhões atualmente.

Segundo o MDS, o CadInsan foi desenvolvido pela Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) e cruza dados socioeconômicos do Cadastro Único com informações da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). Os resultados foram apresentados durante a 3ª Reunião Plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).

Alexandre Valadares, diretor de Vigilância do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), afirmou que a reconstrução do monitoramento da fome foi uma das primeiras medidas do governo federal. “Qualquer estratégia de enfrentamento da fome precisa partir do conhecimento da realidade”, disse ele durante o evento.

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Retomada do monitoramento

Em 2023, o MDS e o IBGE firmaram parceria para aplicar anualmente a EBIA, retomando o monitoramento da fome no país. Os dados mostram que, em 2022, a insegurança alimentar grave atingia 15% dos domicílios, percentual que caiu para 3,2% em 2024, segundo a PNAD Contínua.

Valadares destacou que os indicadores ajudam a orientar políticas públicas e avaliar sua eficácia. “Os dados contribuem para integrar programas e definir prioridades, garantindo ações mais efetivas”, afirmou. Ele também citou a saída do Brasil do Mapa da Fome como resultado dessas medidas.

Triagem e políticas locais

A SECF acompanha ainda a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA), ferramenta do Ministério da Saúde que identifica famílias vulneráveis na atenção primária. Em dezembro de 2025, a TRIA alcançava cerca de 10 milhões de famílias, aproximadamente 13% do total.

Outro avanço citado foi o Censo Sisan, que consolida informações sobre políticas públicas municipais. O sistema monitora a presença de equipamentos como cozinhas comunitárias e feiras, além de ações de apoio à produção de alimentos.

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Dados do MDS indicam que famílias que passam a receber o Bolsa Família têm 16% mais chances de sair da insegurança alimentar em seis meses, comparado àquelas que não são beneficiárias.

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