O consumo frequente de hambúrgueres, embutidos, salgadinhos e bebidas açucaradas está relacionado ao aumento de alterações no colesterol e ao excesso de peso em adolescentes. Esta é a conclusão de uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Longevidade (PPGNL) da UNIFAL-MG.
O estudo avaliou estudantes de uma escola da rede pública de ensino, localizada no Sul de Minas Gerais. A pesquisa analisou hábitos alimentares, medidas corporais e exames de sangue de 115 adolescentes com idade entre 11 e 17 anos.
Intitulada Perfil lipídico, estado nutricional e consumo de alimentos ultraprocessados de adolescentes de um município do Sul de Minas Gerais, a pesquisa de mestrado foi desenvolvida por Fábia Gonçalves Ribeiro Alves. A orientação foi da professora Rosangela da Silva, da Faculdade de Nutrição (FANUT).
Os dados da pesquisa indicaram uma associação entre gordura abdominal aumentada e alterações nos triglicerídeos. Também foi observada uma relação entre o consumo de hambúrgueres e embutidos com o excesso de peso e a redução do HDL.
A orientadora do estudo, Rosangela da Silva, afirmou: “Os principais aspectos encontrados na pesquisa mostram que as alterações do perfil lipídico dos adolescentes associam-se ao consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras e açúcares”.
O trabalho teve início no começo de 2021, com a coleta e análise de dados. Foram avaliados hábitos de consumo alimentar, peso, altura, circunferência da cintura e exames bioquímicos dos adolescentes.
A dissertação de mestrado foi defendida no final de 2022. Os resultados foram publicados em artigo científico em 2025, assinado pelas autoras em parceria com outros pesquisadores.
De acordo com a orientadora, a investigação foi motivada pela experiência no trabalho com a nutrição infantil. Ela explicou que o foco é estudar a alimentação e a presença de alterações bioquímicas relacionadas a doenças crônicas não transmissíveis.
A professora Rosangela da Silva ressaltou que “o comportamento alimentar inadequado na infância e na adolescência pode repercutir negativamente na longevidade”.
Resultados da Pesquisa e Implicações
Os resultados apontaram que 30% dos participantes estavam com excesso de peso. Além disso, 19% apresentavam acúmulo de gordura abdominal, considerado fator de risco para doenças cardiometabólicas.
Doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares estão associadas a esse acúmulo de gordura. Mais de 65% dos adolescentes relataram consumir alimentos ultraprocessados diariamente.
Esses alimentos incluem hambúrgueres, embutidos, salgadinhos, refrigerantes e doces industrializados. As pesquisadoras também observaram alterações nos exames de sangue dos participantes.
Cerca de 13% dos adolescentes apresentaram níveis baixos de HDL, conhecido como “colesterol bom”. Enquanto isso, 10% tinham triglicerídeos elevados, indicando um perfil lipídico alterado.
Outro dado relevante foi a baixa frequência de hábitos alimentares saudáveis. Mais de 30% dos adolescentes disseram não consumir frutas, verduras ou legumes diariamente.
Adicionalmente, 65% realizavam no máximo três refeições por dia. Mais de um quarto dos participantes relatou não tomar café da manhã regularmente, o que indica padrões alimentares irregulares.
O estudo também teve impacto prático para os adolescentes e para o município participante. Os resultados individuais foram enviados às famílias para possibilitar acompanhamento médico e nutricional.
Um relatório com os resultados finais da pesquisa foi encaminhado para a secretaria de saúde do município. O objetivo é contribuir para o direcionamento de ações de saúde pública na região.
Para Fábia Alves, a pesquisa reforça a importância do acompanhamento nutricional e da identificação precoce de fatores de risco entre adolescentes. Ela comenta: “Os resultados sugerem a adoção de ações estratégicas, com ênfase nas atividades de educação alimentar e nutricional no ambiente escolar”.
Segundo a autora do estudo, o ambiente escolar deve desencorajar o consumo de alimentos ultraprocessados. Além disso, deve contribuir para a prevenção do surgimento de doenças crônicas.
Fábia Alves finaliza: “Hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis melhoram a expectativa de vida associada à melhor qualidade de vida e longevidade dessa faixa etária”.
Confira dados do estudo acessando o artigo publicado em 2025 pela revista periódica Hygeia, vinculada ao Programa de Pós-graduação Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Acesse aqui
A dissertação Perfil lipídico, estado nutricional e consumo de alimentos ultraprocessados de adolescentes de um município do Sul de Minas Gerais está disponível para acesso no Repositório Institucional, neste link
