Cerca de 20 usuários do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Mariano de Abreu visitaram o Memorial de Direitos Humanos, localizado na Avenida Afonso Pena, 2.351, Centro de Belo Horizonte. O objetivo da visita foi aprofundar o conhecimento sobre a história da capital mineira e a relação entre Direitos Humanos e proteção social.
Os participantes incluíam membros do Grupo de Convivência de Idosos e mulheres acompanhadas pela equipe do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif). A equipe do Memorial recepcionou o grupo, apresentando a história das instalações e sua conexão com a história política brasileira do último século.
O espaço, inaugurado em 2018, exibe manifestações artísticas que rememoram e ressignificam a memória de pessoas torturadas no prédio. O Memorial também homenageia os desaparecidos durante o período da ditadura. Uma sala com isolamento acústico e grades recorda práticas passadas.
Durante a visita, foram destacadas datas como 1958, ano em que a edificação começou a funcionar como Departamento de Ordem Política e Social (Dops), e o golpe de Estado de 1964, período de intensificação das prisões.
Heloísa Greco, integrante da Associação do Memorial dos Direitos Humanos, explicou o processo de escolha de representantes entre 1964 e 1985 e a institucionalização da violência. A coordenadora do Cras Mariano de Abreu, Fernanda Reis, enfatizou a importância da visita.
Segundo Fernanda Reis, a atividade promoveu o acesso cultural aos usuários do equipamento de Assistência Social e proporcionou uma viagem histórica. Ela ressaltou a relevância da democracia e da Constituição Federal de 1988, que defende os Direitos Humanos, a Seguridade Social e a Proteção Social.
A coordenadora afirmou: “É importante que os usuários tenham uma vivência cultural, de lazer e circulação em outros espaços de Belo Horizonte, conhecendo a história da cidade e o diálogo dessa história com a proteção social de crianças, jovens e adultos”.
Além da visita, o Cras Mariano de Abreu está recebendo uma exposição sobre a vida de Anne Frank. Esta exposição é uma parceria com o Instituto Anne Frank e tem percorrido diversos equipamentos públicos no município.
Marcinea Carmem dos Santos, membro do Grupo de Convivência de Idosos, expressou satisfação com a experiência de visitar o Memorial e aprender sobre a história de Minas e do Brasil. Ela nasceu em 1958, ano de início das operações do prédio.
Marcinea relatou: “Foi uma oportunidade ótima de conhecer o lugar e ver o que acontecia e ainda acontece. Me chamaram a atenção as salas escuras, é um lugar muito triste. Aconteceram coisas que a gente nem imaginava, muita tortura. Acho muito importante que os jovens conheçam esse passado, todo jovem deveria vir aqui. Essas atividades que o Cras promove também são muito importantes, porque incentivam a gente a conhecer e ocupar os espaços culturais e públicos da cidade, que muitas vezes a gente não teria oportunidade de visitar sozinho”.
