O projeto BH Itinerante, focado na formação de agentes ambientais, concluiu sua 50ª edição na quinta-feira, 25 de maio. As atividades finais ocorreram em uma área rural na região de Itabirito, abrangendo ações socioambientais e culturais, além da cerimônia de diplomação e uma homenagem à idealizadora do projeto.
Os participantes chegaram à etapa final do BH Itinerante a bordo do ônibus-sala de aula Expresso Ambiental. O cenário foi o sítio Mairiporanga, localizado entre as serras do Itabirito e Moeda.
O local, cujo nome remete a experiências e águas, é fundamental para o abastecimento hídrico de Belo Horizonte. Os novos agentes ambientais puderam observar os desafios de preservação e a integração com a natureza local.
Após um café da manhã coletivo, os presentes realizaram uma trilha interpretativa. Durante a trilha, foi possível observar o microclima da região e espécies da Mata Atlântica, como a macaúba, até chegarem a um curso de rio.
Um plantio de araucária foi conduzido pelo servidor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), Wanderson Marinho. Em seguida, os cursistas apresentaram seus trabalhos de conclusão, que incluíam uma atividade de trilha na Serra do Rola Moça.
A cerimônia de diplomação contou com a presença do subsecretário de Gestão Ambiental e do Clima, Dimi Chaves, e da diretora de Educação Ambiental, Ana Paula Assunção. Os participantes receberam capelos, lembranças e um brinde pela conclusão do curso.
No período da tarde, após um almoço servido no fogão à lenha do sítio, os presentes visitaram o Córrego do Silva. Este córrego é um afluente importante do Rio das Velhas.
Os participantes também tiveram vivências, participaram de uma oficina de isca para captura de abelhas-sem-ferrão e celebraram o encerramento com atividades culturais, incluindo dança circular e carimbó.
Homenagem à Idealizadora
Na mesma ocasião, foi realizada uma homenagem a Eliana Apgaua, idealizadora do BH Itinerante. Eliana se aposenta ao final do mês, após quase cinco décadas de serviço público.
Dimi Chaves afirmou: “Que a SMMA siga entendendo a grandeza do BH Itinerante. Obrigado por sua imensa dedicação”. Ana Paula Assunção, ex-cursista do projeto, destacou o legado de Eliana.
Eliana Apgaua atribuiu o alcance e a qualidade do projeto à parceria com colegas, como Aluisio Cardoso e Laiena Teixeira. Ela declarou: “Não deixem de aproveitar essa oportunidade. Essa experiência transforma as pessoas”.
De acordo com informações da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o BH Itinerante, iniciado em 2001, é um dos projetos mais antigos da PBH. Ele é gerido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por meio da Diretoria de Educação Ambiental.
O curso compreende 12 encontros ao longo do semestre, incluindo vivências em campo e aulas com especialistas. As dinâmicas são realizadas na Sala Verde da SMMA. O encerramento da 50ª edição demonstrou os valores do projeto, como a experiência em campo e a perspectiva humana na preservação e multiplicação do conhecimento.
Novos Multiplicadores
Eliane Maria Silveira, de 74 anos, participou de todo o curso e das trilhas, mesmo antes de uma cirurgia no joelho. A enfermeira aposentada encontrou na formação uma forma de transformar sua preocupação com a degradação dos rios e córregos em ação.
Ela pretende atuar como multiplicadora na proteção dos recursos hídricos. Eliane Maria Silveira afirmou: “o socorro só vem se todos se envolverem, com educação ambiental e participação das crianças”.
Francisco Junqueira Cardoso, estudante de 19 anos, foi o formando mais jovem da turma. A experiência superou suas expectativas, combinando visitas técnicas, contato com especialistas e troca de experiências entre participantes de diferentes gerações.
Francisco Junqueira Cardoso relatou: “Passei a observar o ambiente urbano com um olhar mais crítico e analítico”. Para ele, o curso proporcionou uma nova forma de enxergar Belo Horizonte e despertou um olhar atento às questões socioambientais, conhecimento que ele pretende aplicar em sua vida acadêmica e pessoal.
Rosângela de Aguiar Santos, professora da educação infantil na rede municipal, viu no curso uma oportunidade para atuar em sua comunidade escolar, onde já participa de ações de educação ambiental.
Ao concluir a formação, ela pretende compartilhar o conhecimento com a equipe pedagógica, integrar os conteúdos ao planejamento escolar, revitalizar a horta e ampliar as ações voltadas ao contato das crianças com a natureza. Rosângela de Aguiar Santos declarou: “Acreditamos que o investimento na primeira infância é fundamental”.
