Divulgação | PBH
Foto de Belo Horizonte

BH realiza 4º Seminário Internacional de Segurança Alimentar

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Belo Horizonte sediou a 4ª edição do Seminário Internacional de Segurança Alimentar e Nutricional, encerrado em 26 de maio. O evento reuniu 170 municípios, 20 estados e representantes de Chile, Peru e Colômbia, totalizando mais de 500 inscritos. A iniciativa foi organizada pela Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional em parceria com a FAO, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e o ICLEI – Governos Locais para a Sustentabilidade.

O seminário abordou o tema “Abastecimento Alimentar, Emergência Climática e Fome”. O debate focou na necessidade de novas políticas públicas de abastecimento. Essas políticas devem considerar a emergência climática, a inclusão social e a governança territorial das cidades para combater a fome e promover a alimentação adequada.

A segurança alimentar foi discutida como uma política de desenvolvimento econômico e inclusão produtiva. O evento destacou a importância de adaptar-se às mudanças climáticas. Essa abordagem se contrapõe à visão da segurança alimentar apenas como política assistencial.

Especialistas participaram do painel da manhã, incluindo Walter Belik, do Instituto Fome Zero, e Ana Terra, do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Lilian Rahal, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, e Rodrigo Perpétuo, do ICLEI América do Sul, também estiveram presentes. Eles debateram desafios do século XXI relacionados ao abastecimento alimentar.

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As discussões enfatizaram a necessidade de considerar o abastecimento alimentar como infraestrutura essencial das cidades. Outros pontos abordados foram a redução da vulnerabilidade das cadeias de suprimento e a ampliação do acesso a alimentos frescos em áreas periféricas. O fortalecimento das compras públicas da agricultura familiar e a valorização de mercados públicos e Centrais de Abastecimento também foram destacados.

Houve consenso sobre a importância de integrar a segurança alimentar ao SISAN (Sistema Alimentar de Segurança Alimentar e Nutricional). O III PLANSAN (Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional), lançado em Belo Horizonte, e as estratégias de desenvolvimento urbano sustentável também foram mencionados como elementos articuladores.

Troca de experiências e soluções locais

A sessão de intercâmbio de experiências apresentou soluções desenvolvidas por municípios brasileiros. Foram exibidos relatos sobre agricultura urbana, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos. Hortas escolares, comercialização direta entre produtores e consumidores, e programas municipais de abastecimento também foram exemplos.

Os debates indicaram que as soluções mais eficazes são aquelas construídas a partir das especificidades territoriais. Essas soluções articulam governos locais, universidades, organizações sociais e agricultores familiares. A CEAGESP e a ABRACEN consideram essa discussão uma oportunidade para reconhecer as Ceasas como equipamentos públicos estratégicos para a resiliência alimentar.

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Uma cerimônia de premiação reconheceu experiências selecionadas pela Comissão Científica do Seminário. As iniciativas premiadas apresentaram impacto social, capacidade de inovação e fortalecimento da participação comunitária. A integração entre abastecimento, combate ao desperdício e sustentabilidade ambiental também foi um critério.

Vinte experiências foram selecionadas para apresentação, com menções honrosas para as de melhor avaliação técnica. A premiação demonstrou a existência de tecnologias sociais testadas em diversas regiões do país. Essas tecnologias estão prontas para serem disseminadas em escala nacional.

Feira da Economia Solidária e Segurança Alimentar e encerramento

A Rua Goiás, próxima ao local do evento, recebeu a Feira da Economia Solidária e Segurança Alimentar. Agricultores familiares, empreendimentos populares, cooperativas e artesãos participaram. Produtos como hortaliças agroecológicas, frutas processadas, mel, ervas medicinais, alimentos artesanais e artesanato popular foram comercializados.

A feira também teve um caráter pedagógico, mostrando que modelos econômicos baseados na cooperação podem reduzir desigualdades. Esses modelos contribuem para a construção de sistemas alimentares mais justos. O encerramento do seminário, em 25 de maio, incluiu atrações musicais e culturais gratuitas, como discotecagem e show do Bloco Timbaleiros do Ghetto, com apoio da secretaria municipal de cultura.

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Em 26 de maio, o evento finalizou com visitas técnicas a equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional da capital mineira. Gestores e especialistas puderam conhecer as políticas públicas que tornam Belo Horizonte uma referência na área. A realização do seminário reforça o papel de Belo Horizonte no debate sobre segurança alimentar.

De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, a cidade, que criou a Secretaria Municipal de Abastecimento em 1993, sedia um evento que se consolidou como fórum de articulação. Este fórum reúne governos locais, organismos internacionais e sociedade civil para enfrentar a fome e as mudanças climáticas.

Darklane Rodrigues, secretária municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, afirmou na abertura: “Este 4º seminário Internacional com o tema abastecimento alimentar, emergência climática e fome vem para unir forças. O tamanho do desafio exige a cooperação de todos: entre países, entre municípios e entre a ciência e a política”.

A secretária complementou: “Se o primeiro dia mostrou que a fome é um desafio sistêmico das cidades contemporâneas, o segundo dia demonstrou que já existem experiências concretas capazes de apontar caminhos para a construção de sistemas alimentares resilientes, inclusivos e territorialmente enraizados. Com 170 municípios, 20 estados e 4 países representados, o 4º Seminário Internacional de Segurança Alimentar e Nutricional de Belo Horizonte deixou claro que o combate à fome e à emergência climática exige ação coordenada em todas as escalas – e que as cidades brasileiras já têm muito a ensinar ao mundo”.

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Corinna Hawkes, diretora da Divisão de Sistemas Agroalimentares da FAO, destacou a importância da cooperação. Ela afirmou: “Quando falamos em resiliência, precisamos mudar a forma como enxergamos os desafios. Em vez de focarmos apenas nos riscos, devemos identificar oportunidades para transformar nossos sistemas. O primeiro passo é construir uma visão compartilhada, compreendendo qual futuro desejamos alcançar coletivamente. A partir dessa visão, é fundamental desenvolver um diagnóstico compartilhado, analisando as conexões, concessões e dinâmicas de poder que influenciam os resultados”.

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