Foto: Flavio Tavares/O Tempo
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Estudo da UFMG confirma que voltar a estudar eleva memória e raciocínio em adultos e idosos

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Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou que a educação tardia traz benefícios cognitivos para adultos e idosos. O estudo acompanhou estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e constatou melhorias na memória e nas funções executivas, como raciocínio e resolução de problemas, ilustrando como o retorno aos estudos pode impactar a saúde cerebral.

Aos 65 anos, Maria Cristina Alves voltou a estudar após notar dificuldades de memória, como esquecer o próprio nome em uma consulta médica. Ela, que abandonou os estudos na juventude, está matriculada na Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Belo Horizonte. Maria relata que o aprendizado está desenvolvendo sua mente, melhorando sua capacidade de lembrar informações e de fazer contas.

“Eu fico toda feliz de estar estudando, porque está desenvolvendo minha cabeça. Coisa que eu fazia, não lembrava. Hoje eu estou lembrando, faço conta, estou aprendendo a ler”, revela.

A experiência de Maria ilustra os resultados de uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Conforme informações do jornal O Tempo, o estudo acompanhou por seis meses estudantes de 40 a 80 anos de turmas iniciais da EJA. Os participantes foram submetidos a testes de memória, funções executivas e exames de ressonância magnética funcional no início e no fim do acompanhamento.

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Os resultados indicaram que todos os estudantes apresentaram melhora na memória episódica, que está ligada à aprendizagem. Um grupo que teve aulas adicionais de alfabetização obteve ganhos superiores nas funções executivas, que envolvem raciocínio e resolução de problemas. Isso sugere que a intensificação do processo de alfabetização pode ter um impacto mais direcionado em certas habilidades cognitivas.

O pesquisador responsável, João Victor de Faria Rocha, explica que o processo de aprender a ler e escrever é estimulante para o cérebro. “A gente acredita que o processo aprender a ler e a escrever é um processo muito demandante. A pessoa vai ter que usar muito raciocínio, enfim, aprender uma habilidade nova. Esse processo é estimulante, ou seja, ele ativa várias funções cognitivas”, afirma.

A investigação também identificou uma associação entre a capacidade de leitura e a conexão do córtex pré-frontal com o hipocampo, áreas do cérebro ligadas ao raciocínio e à memória. No entanto, João Victor ressalta que o estudo, com duração de seis meses, não permite concluir que a EJA previne doenças como o Alzheimer, pois seria necessário um acompanhamento de longo prazo.

Retorno aos estudos amplia autonomia e conhecimento

Néria Pedrosa da Silva, de 84 anos, é outro exemplo. Ela retornou aos estudos em 2023, décadas após concluir a quarta série primária em 1958. Após a morte do marido, ela viu na EJA uma oportunidade de realizar um desejo antigo e de conhecer novas pessoas. “Eu sempre tive vontade de estudar. Eu conheci novas pessoas, sabe? Eu não gosto de ficar dentro de casa. Melhorei o conhecimento”, afirma.

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A professora Jeanne Chequer, com 20 anos de experiência na modalidade, observa os ganhos dos alunos. Segundo ela, a alfabetização representa uma revolução intelectual e amplia a autonomia, permitindo que as pessoas se movimentem melhor no mundo, leiam receitas, peguem o ônibus correto e façam contas no supermercado, garantindo um direito fundamental na vida das pessoas.

Aos 61 anos, Genilda Pereira da Silva dos Santos realizou o sonho de se alfabetizar após a aposentadoria. Em um ano na EJA, ela aprendeu a ler e escrever, o que lhe trouxe momentos de orgulho, como ajudar uma pessoa a encontrar um endereço na rua. Hoje, ela consegue ler a Bíblia e sonha em continuar os estudos para se tornar assistente social.

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