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O que pais devem observar no uso de telas pelos filhos

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O uso excessivo de tecnologia por crianças e adolescentes pode levar à substituição de experiências do mundo real pelo ambiente digital, impactando o desenvolvimento social, escolar e até o sono. O alerta é do psicólogo e professor da UFMG, Claudio Paixão, que define o fenômeno como “substituição de repertório” e detalha os sinais de que o uso de telas ultrapassou o limite do lazer, conforme informações do jornal O Tempo.

Segundo o psicólogo Claudio Paixão, doutor em Psicologia Social, a tecnologia se torna um problema quando deixa de ser uma ferramenta e começa a substituir o mundo real. Ele chama esse processo de “substituição de repertório”, que ocorre quando redes sociais e aplicativos passam a ocupar o lugar de experiências concretas na vida dos jovens, como interações sociais e brincadeiras ao ar livre.

“O mundo devia ser o lugar onde a gente exercita a vida e essas ferramentas, esses aplicativos deveriam ser um espaço de lazer. Agora, quando isso é trocado, isso passa a ser o mundo e esse outro espaço deixa de ter valor ou interesse para o garoto e para a garota, aí a gente tem um problema”, afirma.

Paixão afirma que o tempo de tela não é o único indicador de problema. O alerta deve surgir quando o uso de tecnologia começa a prejudicar o desempenho escolar e social, além de causar afastamento das relações interpessoais. Esses são indícios de que o uso de dispositivos eletrônicos pode estar saindo do controle e se tornando prejudicial para o desenvolvimento do jovem.

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A busca por aprovação

Durante a adolescência, a situação pode ser mais complexa, pois a identidade está em formação. Segundo Paixão, interações como curtidas, seguidores e comentários em redes sociais funcionam como um termômetro de aprovação social para os jovens. Essa busca por validação externa pode ser um fator de vulnerabilidade, moldando o comportamento e a autoestima com base na recepção online que obtêm.

“As crianças são inseguras, elas querem parecer com o coleguinha, elas querem ter algo parecido com o que o coleguinha tem. Os adolescentes, então, mais ainda. Eles têm que se espelhar em alguém, eles estão construindo identidade a partir do outro”, afirma. O psicólogo também cita o FOMO, o medo de ficar de fora, como um fator que mantém os jovens conectados.

Essa busca por aprovação pode gerar uma dinâmica similar à dos jogos de azar, baseada na expectativa pela recompensa seguinte. O ambiente virtual também facilita o isolamento, pois permite bloquear quem pensa diferente. Com isso, o jovem pode se cercar apenas de opiniões que reforçam suas próprias crenças, vivendo em uma bolha social que limita sua exposição a diferentes pontos de vista.

Quando o sono também é afetado

O uso de telas durante a noite é outro ponto de preocupação. De acordo com o especialista, a qualidade do sono é fundamental para o processo de aprendizagem e para o controle emocional. A privação de sono ou um descanso de má qualidade pode ter reflexos diretos na capacidade de concentração e no processamento de informações absorvidas durante o dia.

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“Para a gente aprender, a gente precisa dormir, a gente precisa descansar nos intervalos. É no sono que a gente processa informação. Se eu durmo pouco, se eu tenho sono ruim, isso tem um impacto na minha aprendizagem, tem um impacto no meu controle de emoções”, explica o psicólogo.

Por fim, Paixão sugere que os responsáveis observem não apenas as horas de conexão, mas o que o jovem deixa de fazer para ficar online. Quando atividades como brincadeiras, estudos, sono e interações sociais perdem espaço, pode ser um sinal de que “a ferramenta que deveria fazer parte da vida passa a ocupar o lugar da própria vida”.

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