O Campus Governador Valadares do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) sediou, entre 22 e 24 de setembro, o evento “Planeta IFMG”. Centenas de participantes, incluindo estudantes, servidores e membros da comunidade externa, estiveram presentes. O objetivo central foi destacar a relevância da participação feminina na construção do conhecimento científico, no desenvolvimento tecnológico e na transformação social.
A programação incluiu diversas atividades focadas no protagonismo feminino na ciência e tecnologia. A pesquisadora Zélia Profeta, da Fundação Oswaldo Cruz, proferiu a palestra de abertura. Ela abordou a necessidade de repensar a estrutura da sociedade para que a mulher seja vista como igual ao homem, com liberdade para realizar suas escolhas.
A professora Sandra Soares Della Fonte, doutora em Filosofia pela UFMG, complementou a discussão. Ela ressaltou que a estrutura misógina e machista se manifesta na ciência, filosofia e educação. No entanto, Della Fonte enfatizou a luta e a resistência das mulheres para ocupar esses espaços ao longo da história, citando figuras como Melissa, Hipátia, Lélia Gonzales e Sueli Carneiro.
Zélia Profeta, em sua fala, destacou a importância de políticas públicas, como as oferecidas pelos institutos federais, para a formação de mais mulheres cientistas. Ela aconselhou as estudantes a se dedicarem aos estudos e a se manterem conectadas com os avanços científicos do país, incentivando-as a contribuir na formulação de políticas públicas.
Ana Clara Silva, egressa do Campus Betim do IFMG e atualmente estudante de Medicina na UFMG, compartilhou sua experiência. Ela relatou como o IFMG a preparou para o ambiente universitário, enfatizando a importância de lutar pela reafirmação da mulher, especialmente da mulher negra, em espaços historicamente dominados por homens.
A doutora em Filosofia pela UFRJ, Katiúscia Ribeiro, defendeu em sua palestra que a inovação deve estar alinhada com o respeito à terra, à memória, à humanidade e ao princípio da vida, que ela associa ao feminino. Ribeiro argumentou que as mulheres devem ser reposicionadas no centro da sociedade para a construção de um novo modelo.
Segundo Katiúscia Ribeiro, esse novo modelo de sociedade deve ser pautado em filosofias presentes em territórios negros e indígenas. Ela afirmou que essas filosofias oferecem soluções reais para um futuro que não agrida as mulheres nem a natureza, e que valorize as relações humanas e sociais.
O Planeta IFMG promoveu dezenas de atividades, organizadas em quatro eventos principais: Mostra de projetos de ensino, Seminários de Iniciação Científica, de Estudantes de Pós-Graduação e Saberes da Extensão. A programação incluiu apresentações musicais, sessões de cinema, demonstrações com óculos de realidade virtual, planetário móvel e oficinas de slackline.
A feira do livro “Troco na Troca” também fez parte do evento, possibilitando a troca de quase 500 livros entre os participantes. O professor Luiz Carlos Fernandes, coordenador da iniciativa, explicou que o projeto, iniciado em 2018 no Campus Itabirito, visa expandir o acesso à leitura e promover o diálogo sobre livros.
Lara Vieira, aluna do curso técnico em Edificações no Campus Congonhas, expressou sua satisfação com o evento. Ela destacou a diversidade de projetos apresentados e a oportunidade de sair de sua rotina para experimentar novas tecnologias e conhecimentos científicos, interagindo com pessoas de diferentes localidades.
Resultados e Tecnologia
Nesta edição do Planeta IFMG, a divulgação dos resultados dos trabalhos avaliados ocorreu de forma quase instantânea. Isso foi possível graças a uma ferramenta desenvolvida pelo professor Carlos Dias, do Campus Ibirité, conforme informações do IFMG.
O sistema web, integrado ao SUAP, permite que cada avaliador acesse o software pelo celular e registre as notas diretamente. De acordo com o professor Carlos Dias, essa tecnologia elimina etapas manuais, como a coleta e organização de fichas de avaliação em papel, agilizando a consolidação dos resultados.
O sistema foi construído utilizando Node.js no backend, Vue.js na interface e PostgreSQL como banco de dados. A integração com o SUAP aproveita o mecanismo institucional de autenticação, eliminando a necessidade de novos usuários e senhas específicos para o sistema, conforme detalhado pelo professor Dias.
