Polícia Federal cria força-tarefa para combater crimes eleitorais em MG

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A Polícia Federal em Minas Gerais anunciou a criação de uma força-tarefa para combater crimes eleitorais antes das próximas eleições. O objetivo é focar na prevenção de delitos como desvio de fundos partidários e campanhas difamatórias nas redes sociais, com um aumento no efetivo da Delegacia de Defesa Institucional (Delinst). A informação foi divulgada em um encontro com jornalistas nesta quinta-feira (26).

De acordo com informações do jornal O Tempo, o superintendente Richard Murad Macedo explicou que a ação será preventiva para evitar que os crimes sejam investigados apenas após a diplomação dos candidatos. Ele destacou que os prazos da justiça eleitoral são curtos, o que exige uma atuação ágil para garantir a lisura do processo eleitoral antes que os resultados sejam consolidados.

“Nós estamos incrementando a denúncia para que esse ano nós tenhamos uma ação muito focada na questão preventiva. De novo, não adianta você querer investigar um crime de compra de votos, por exemplo, seis meses depois que isso ocorreu e o candidato já diplomado. Os prazos da justiça eleitoral são muito exigentes. Então nós teremos um determinado momento que a Polícia Federal de Minas Gerais vai focar na questão eleitoral. Ela vai toda focar para que nós não permitamos que em Minas Gerais tenhamos desvios, no sentido de permitir compra de voto, desvio de recursos dos fundos eleitorais. Nós vamos trabalhar cautelarmente”, garantiu o superintendente.

O trabalho será realizado em colaboração com o Tribunal Regional Eleitoral e o Ministério Público Federal. A PF também estabelecerá canais de comunicação direta com partidos e coligações para receber denúncias, uma vez que os adversários políticos são frequentemente os primeiros a identificar e relatar as irregularidades cometidas durante o período eleitoral.

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As campanhas difamatórias em redes sociais, incluindo o uso de inteligência artificial e a disseminação de notícias falsas, são um dos principais desafios mapeados. Para enfrentar essa questão, a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (Deleciber) direcionará seus esforços para o âmbito eleitoral, atuando para identificar e remover rapidamente conteúdos fraudulentos que possam interferir no resultado das eleições.

Dados de eleições anteriores

Dados do Ministério da Justiça e da Segurança Pública mostram que no primeiro turno das eleições municipais de 2024, Minas Gerais foi o estado com o maior número de crimes eleitorais registrados. Foram 800 ocorrências de um total de 4.556 em todo o Brasil, à frente do Paraná (494) e do Rio de Janeiro (394). Os delitos mais comuns foram boca de urna e compra de votos.

Após o primeiro turno de 2024, a PF informou ter conduzido 415 pessoas a delegacias e instaurado 117 inquéritos policiais em todo o país. O balanço também apontou a apreensão de mais de R$ 50,4 milhões relacionados a irregularidades. Em Minas Gerais, 54 inquéritos abertos entre as eleições de 2022 e 2024 ainda estão em fase de apuração.

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