Chuva lidera causas de acidentes em rodovias federais de Minas

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Dados do primeiro trimestre de 2026 sobre as rodovias federais em Minas Gerais indicam que os acidentes associados à chuva superaram em 76% os ligados a problemas de infraestrutura. De acordo com um levantamento do jornal O Tempo com base em indicadores da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as ocorrências sob chuva também resultaram em mais mortes e feridos no período analisado, entre 1º de janeiro e 31 de março.

O grupo de problemas de infraestrutura inclui falhas como pista esburacada (20 registros), afundamento de pavimento (9) e ausência de sinalização (6). Outros fatores como curvas acentuadas, falta de acostamento e deficiência na iluminação também foram registrados. No total, essas falhas nas vias somaram 64 ocorrências no período, conforme os apontamentos dos agentes da PRF no momento dos atendimentos aos acidentes.

Em contrapartida, foram registrados 113 acidentes associados à chuva nas rodovias federais mineiras no mesmo período. Os dados da PRF mostram que a precipitação foi um fator mais frequente nos acidentes até 31 de março. A BR-381 concentrou 47 desses casos, o que corresponde a 41,6% do total em mais de 9 mil km de malha rodoviária no estado.

Gravidade dos acidentes sob chuva

Além do maior número de ocorrências, os acidentes em dias de chuva apresentaram maior gravidade. Até 31 de março, foram contabilizadas 4 mortes e 148 pessoas feridas em incidentes relacionados ao tempo chuvoso. No mesmo intervalo, os acidentes atribuídos a falhas de infraestrutura resultaram em 1 morte e 74 feridos, segundo os dados da Polícia Rodoviária Federal.

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Apesar dos números relacionados ao tempo e à infraestrutura, o comportamento dos motoristas é o principal fator de acidentes nas rodovias federais de Minas. Conforme os dados da PRF, mais de 50% dos 2.264 casos registrados no trimestre têm relação com ações dos condutores. Fatores como ausência de reação, velocidade incompatível e falhas na condução lideram a lista de causas.

  • Ausência de reação do condutor: 376
  • Velocidade incompatível: 291
  • Reação tardia ou ineficiente do condutor: 283
  • Acessar a via sem observar a presença dos outros veículos: 147
  • Demais falhas mecânicas ou elétricas: 119
  • Chuva: 113
  • Condutor dormindo: 106
  • Condutor deixou de manter distância do veículo da frente: 101
  • Ingestão de álcool pelo condutor: 70
  • Transitar na contramão: 60
  • Manobra de mudança de faixa: 58
  • Ultrapassagem indevida: 56
  • Avarias e/ou desgaste excessivo no pneu: 47
  • Acúmulo de água sobre o pavimento: 44
  • Pista escorregadia: 33
  • Animais na pista: 31
  • Conversão proibida: 28
  • Trafegar com motocicleta (ou similar) entre as faixas: 26
  • Pedestre andava na pista: 25
  • Mal súbito do condutor: 24
  • Desrespeitar a preferência no cruzamento: 22
  • Pista esburacada: 20
  • Entrada inopinada do pedestre: 18
  • Objeto estático sobre o leito carroçável: 17
  • Transitar no acostamento: 15
  • Acesso irregular: 13
  • Retorno proibido: 12
  • Demais falhas na via: 10
  • Pedestre cruzava a pista fora da faixa: 10
  • Afundamento ou ondulação no pavimento: 9
  • Problema com o freio: 9
  • Condutor usando celular: 8
  • Acúmulo de areia ou detritos sobre o pavimento: 7
  • Carga excessiva e/ou mal acondicionada: 7
  • Ausência de sinalização: 6
  • Frear bruscamente: 6
  • Acostamento em desnível: 5
  • Acúmulo de óleo sobre o pavimento: 3
  • Curva acentuada: 3
  • Deficiência do sistema de iluminação/sinalização: 3
  • Falta de acostamento: 3
  • Ingestão de substâncias psicoativas pelo condutor: 3
  • Suicídio (presumido): 3
  • Demais fenômenos da natureza: 2
  • Falta de elemento de contenção que evite a saída do leito carroçável: 2
  • Pedestre – ingestão de álcool/substâncias psicoativas: 2
  • Transtornos mentais (exceto suicídio): 2
  • Declive acentuado: 1
  • Estacionar ou parar em local proibido: 1
  • Modificação proibida: 1
  • Redutor de velocidade em desacordo: 1
  • Restrição de visibilidade em curvas horizontais: 1
  • Sinalização mal posicionada: 1

Recomendações para direção segura

Especialistas recomendam reduzir a velocidade e manter maior distância do veículo à frente ao dirigir com chuva. Segundo Alysson Coimbra, diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), a pista molhada e a menor visibilidade exigem mudanças na condução. “O coeficiente de atrito entre o carro e o asfalto pode cair pela metade, dependendo da quantidade de água e do estado dos pneus. Isso transforma pequenas falhas em decisões arriscadas”, afirma.

A prevenção antes de iniciar a viagem também é apontada como fundamental. “Pneus calibrados, palhetas em bom estado, faróis regulados e planejamento de rota evitam grande parte dos incidentes”, diz Coimbra. Durante o percurso, a orientação é evitar freadas bruscas e movimentos repentinos, além de redobrar a atenção à sinalização e às condições da via, que podem ser afetadas pela chuva.

Em situações de visibilidade muito baixa ou risco de alagamento, a recomendação é interromper o deslocamento. “Evite áreas com histórico de alagamento e procure um local seguro para aguardar. Jamais tente atravessar trechos alagados ou continuar dirigindo ‘no escuro’”, orienta o diretor da Ammetra. Ele finaliza que manter a calma e adotar uma condução defensiva são medidas essenciais para reduzir os riscos.

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