Belo Horizonte sedia a 4ª edição do Seminário Internacional de Segurança Alimentar e Nutricional, iniciado nesta quarta-feira (24). O evento aborda o tema “Abastecimento Alimentar, Emergência Climática e Fome”, reunindo gestores públicos, especialistas, pesquisadores e representantes da sociedade civil.
O seminário, com duração de três dias, visa promover debates, troca de experiências e a construção de soluções para sistemas alimentares. O foco é a resiliência, sustentabilidade e justiça alimentar, conforme a programação divulgada.
Realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte em parceria com a FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e o ICLEI – Governos Locais para a Sustentabilidade, o evento registrou mais de 500 inscritos.
Participam representantes de 111 municípios brasileiros, além de delegações da África, Chile, Peru, Colômbia, Argentina, Roma e Escócia. O apoio institucional é do Conselho Federal de Nutrição, do Instituto Comida do Amanhã e do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.
A abertura oficial ocorreu no Teatro Francisco Nunes, localizado no Parque Municipal Américo Renné Giannetti. Estiveram presentes a secretária municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Darklane Rodrigues, e outras autoridades.
Entre as autoridades, estavam Corinna Hawkes, diretora da Divisão de Sistemas Agroalimentares da FAO, e Lilian Rahal, secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS. Thiago Grego representou o ICLEI América do Sul, e Vinicius Pereira Guimarães, a Embrapa Milho e Sorgo.
Também compareceram Eduardo Cruvinel, presidente da Belotur, e secretários municipais de Belo Horizonte, como Cheng (Relações Institucionais) e João Paulo Menna (Meio Ambiente). Leverci Silveira Filho, secretário de Segurança Alimentar e Nutricional de Curitiba, também esteve presente.
No primeiro dia, atividades simultâneas foram realizadas na Sede da PBH e no P7 Criativo. Houve o painel “Construindo convergências para sistemas alimentares urbanos resilientes”, um Encontro da Agricultura Familiar e uma Aula Temática.
Relatos de pesquisas e experiências foram apresentados ao final do dia. Darklane Rodrigues destacou a importância da cooperação: “Este 4º seminário Internacional com o tema abastecimento alimentar, emergência climática e fome vem para unir forças. O tamanho do desafio exige a cooperação de todos: entre países, entre municípios e entre a ciência e a política.”
Na quinta-feira (25), o painel central “Abastecimento alimentar, emergência climática e fome – desafios do século XXI e caminhos de superação” foi o destaque da manhã. Um talk show subsequente reuniu Márcia Ribeiro, Julia Ninahuaman Velasques e Paula Ribeiro Guimarães para debater sistemas alimentares sustentáveis.
No período da tarde, três oficinas simultâneas abordaram parcerias globais, políticas públicas de abastecimento e impactos das mudanças climáticas na alimentação urbana. O segundo dia foi encerrado com a premiação de soluções inovadoras na sede da PBH.
As soluções premiadas foram apresentadas por pesquisadores, gestores, agricultores e organizações sociais. Elas se destacaram no enfrentamento à fome e no fortalecimento das políticas de abastecimento, conforme informações da organização.
Na sexta-feira (26), o evento será concluído com visitas técnicas a equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) na capital mineira. Essas visitas permitirão aos participantes conhecer de perto as iniciativas locais.
Programação cultural e gastronômica
A programação do seminário incluiu atividades artísticas e culturais. A abertura, no dia 24, contou com um cortejo musical do Grupo Cultural Meninas de Sinhá, que se apresentou do hall de entrada até o Teatro Francisco Nunes.
O grupo, formado por moradoras do Alto Vera Cruz e Taquaril com idade média de 75 anos, é reconhecido por sua atuação em arte e transformação social. Elas já se apresentaram em palcos nacionais e internacionais.
Na manhã de quinta-feira (25), o Coral da Escola Municipal Professor Tabajara Pedroso se apresentou na Sede da PBH. A apresentação destacou a importância da educação musical infantil no contexto das discussões do seminário.
À tarde, a Cia 5Só, companhia de teatro marginal composta por artistas negros, mulheres e LGBTQI+ das periferias de BH, realizou um sarau de poesia. O evento ocorreu na sede da PBH, promovendo reflexões sobre cidade, corpo e resistência.
Um dos destaques gastronômicos foi a intervenção artístico-gastronômica “O Pastel de Angu”, apresentada pelo chef Stanley Albano, do espaço MandakNega. A releitura do tira-gosto mineiro foi criada a partir de saberes ancestrais afro-indígenas.
Stanley Albano, multiartista e pesquisador da cozinha de oralidade, já representou Belo Horizonte no programa “Geladeira em Ação” (GNT). Sua trajetória é marcada pelo resgate da culinária afro-brasileira.
O encerramento do seminário, na noite de quinta-feira (25), incluiu uma Feira de Encerramento aberta ao público na Rua Goiás, 14. O evento contou com atrações musicais e culturais gratuitas.
A programação musical incluiu discotecagem do Ponto Nordeste, movimento que promove o forró pé-de-serra. O Bloco Timbaleiros do Ghetto animou a noite com sua batucada e energia.
A Blitz Arraial de Belô, em parceria com a Belotur, celebrou o período junino e a cultura popular mineira. As intervenções artísticas foram realizadas em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e do Programa Rede de Identidades Culturais.
A Secretaria Municipal de Educação (SMED) e a Belotur também colaboraram, reforçando o compromisso de Belo Horizonte em aliar segurança alimentar, sustentabilidade e valorização dos fazedores de cultura.
