Representação dos resultados da pesquisa sobre a evolução da mortalidade por AVC em Minas Gerais. (Imagem gerada por IA a partir de descrição jornalística, com revisão e supervisão da Dicom/UNIFAL-MG)
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Estudo da Universidade Federal de Alfenas aponta queda na mortalidade por AVC em Minas Gerais de 1980 a 2021 e migração do risco para o norte, nordeste e leste do estado

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A mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) em Minas Gerais registrou queda entre 1980 e 2021. No entanto, essa redução não foi uniforme em todo o estado. Uma pesquisa desenvolvida pelo professor Daniel Hideki Bando, do Instituto de Ciências da Natureza (ICN) da UNIFAL-MG, indicou que as áreas de maior risco se deslocaram ao longo das décadas.

Nos anos mais recentes, as microrregiões do norte, nordeste e leste mineiro passaram a concentrar as áreas de maior risco. O estudo é resultado do doutorado do pesquisador no Programa de Pós-Graduação em Geografia Física da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa, iniciada em 2023 e concluída em 2025, foi orientada pelo professor Alfredo Pereira de Queiroz Filho. Os resultados foram publicados em artigos na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde.

De acordo com Daniel Bando, a principal conclusão é a diminuição geral e significativa na taxa de mortalidade por AVC em Minas Gerais entre 1980 e 2021, em todas as faixas etárias. Contudo, o padrão de distribuição geográfica não é homogêneo, apresentando agrupamentos de taxas altas e baixas dispersos pelo estado.

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A análise também identificou uma associação negativa entre a mortalidade por AVC e indicadores de saúde, educação e segurança pública. Condições desfavoráveis nessas áreas estão relacionadas a maiores taxas de mortalidade, sugerindo a necessidade de políticas públicas intersetoriais e planejamento territorial da rede de atendimento.

Da Geografia da Saúde ao mapeamento do AVC

Segundo informações da Unifal, a escolha do tema da pesquisa está ligada à trajetória do professor Daniel Bando na Geografia da Saúde e na Epidemiologia. Desde a graduação, o pesquisador investiga a distribuição espacial de problemas de saúde, como suicídio, homicídio e doenças cardiovasculares.

O pesquisador afirmou que a ideia de estudar o AVC em Minas Gerais no segundo doutorado surgiu da realidade brasileira. As pessoas estão vivendo mais, e as doenças crônicas ganharam importância. O AVC é a terceira causa de morte no país, sobrecarregando o Sistema Único de Saúde (SUS) com internações e custos sociais.

Para o professor, entender onde as mortes ocorrem com maior intensidade é uma forma de aproximar a pesquisa acadêmica das necessidades da gestão pública. Ele percebeu a falta de estudos que mostrassem a distribuição da mortalidade por AVC no tempo e espaço em Minas Gerais, e os fatores sociais relacionados.

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Compreender a evolução espaço-temporal e mapear áreas de maior risco territorial são ferramentas essenciais para a formulação de políticas públicas de saúde, conforme Daniel Bando. Essa abordagem permite direcionar recursos e ações de forma mais eficaz para as regiões mais afetadas.

Dados históricos indicam mudança nas áreas de risco

No artigo que investigou a evolução espaço-temporal da mortalidade por AVC em Minas Gerais entre 1980 e 2021, foram registradas 392.521 mortes pela doença no estado. A taxa foi de 52,6 óbitos por 100 mil habitantes ao ano. O estudo verificou uma tendência de queda em todas as taxas analisadas, mas a redução foi desigual no território.

Daniel Bando destacou que a geografia do AVC se alterou ao longo do tempo. No período inicial, de 1980 a 1999, as taxas mais elevadas concentravam-se no sul, sudeste e na região metropolitana. A velocidade de redução da mortalidade foi mais intensa na porção sul do estado.

Nos anos mais recentes, de 2015 a 2021, o sul perdeu esse protagonismo. Um novo padrão emergiu, com as áreas de maior taxa de mortalidade migrando para microrregiões no norte, nordeste e leste do estado. Essa mudança indica uma alteração significativa no perfil epidemiológico regional.

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De acordo com o pesquisador, a queda geral da mortalidade pode ser explicada por mudanças sociais e sanitárias no país nas últimas décadas. Entre os fatores estão o aumento da expectativa de vida, urbanização, melhorias de saneamento, ampliação da rede de saúde e redução do tabagismo.

A persistência de áreas com risco elevado, no entanto, demonstra que esses avanços não foram homogêneos. A permanência de áreas de alto risco reflete as desigualdades dessa transição, expondo o atraso socioeconômico de regiões como o norte e nordeste em comparação com o sul e sudeste.

Análise municipal funciona como lente de aumento

Além da investigação por microrregiões, Daniel Bando realizou uma análise municipal da mortalidade por AVC em Minas Gerais entre 2014 e 2022. Essa etapa permitiu identificar desigualdades locais que poderiam não ser visíveis em recortes territoriais mais amplos, oferecendo uma visão mais detalhada.

O estudo municipal registrou 88.429 mortes por AVC no período, com uma taxa de 47 óbitos por 100 mil habitantes ao ano. A análise espacial apontou 13 conglomerados dispersos pelo estado, sendo oito de taxas altas e cinco de taxas baixas.

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Também foi identificada uma associação negativa da mortalidade por AVC com os indicadores de saúde, educação e segurança pública do Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS). Isso sugere que melhores condições nessas áreas estão ligadas a menores taxas de mortalidade.

O professor explicou que a análise municipal revelou desigualdades locais que estavam “escondidas” nas microrregiões. Essa abordagem mais detalhada expôs um padrão espacial mais complexo, com vários agrupamentos de taxas altas e baixas distribuídos pelo estado.

O IMRS abrange dimensões como saúde, educação, segurança pública, vulnerabilidade, saneamento e meio ambiente. No estudo, as piores condições nas dimensões saúde, educação e segurança foram associadas à mortalidade por AVC, indicando a interconexão desses fatores.

Para Daniel Bando, os resultados sugerem que o enfrentamento do problema requer ações que vão além da área da saúde. É necessário considerar as desigualdades territoriais que afetam as condições de vida da população, exigindo políticas intersetoriais para uma abordagem eficaz.

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Entre as possibilidades apontadas pelo pesquisador estão programas comunitários de prevenção ao AVC, ações de triagem, e educação em saúde sobre fatores de risco modificáveis, como tabagismo, hipertensão e diabetes. Daniel Bando também enfatiza a importância de políticas voltadas à infraestrutura urbana, saneamento, segurança pública e fortalecimento da Estratégia Saúde da Família (ESF).

Mapas podem orientar a rede de atendimento

A pesquisa apresenta mapas como ferramenta de diagnóstico territorial. Para o autor, esses mapas não apenas ilustram a distribuição das mortes, mas também permitem identificar áreas que necessitam de maior atenção dos serviços públicos. Eles podem apoiar decisões sobre prevenção, financiamento e organização da rede hospitalar.

Daniel Bando ressalta que os mapas servem como um diagnóstico para que os tomadores de decisão otimizem a rede do SUS e a Linha de Cuidado ao AVC. Essa ferramenta visual facilita a compreensão das necessidades e a alocação de recursos.

Segundo o pesquisador, o mapeamento evidenciou, por exemplo, que a Macrorregião de Saúde Nordeste apresentava altas taxas e maior necessidade de internações. No entanto, essa região não dispunha de hospital de referência credenciado para atendimento ao AVC, indicando uma lacuna no serviço.

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Através dos mapas, os gestores públicos recebem evidências concretas para credenciar e financiar hospitais em regiões desassistidas. Além disso, a ferramenta permite o planejamento de ações focadas na Atenção Primária para as áreas de alto risco e programas de prevenção.

A leitura territorial, conforme Daniel Bando, pode orientar tanto ações preventivas quanto a organização do atendimento especializado em regiões mais vulneráveis. No caso do AVC, esse planejamento inclui a garantia de acesso rápido ao atendimento, fator crucial para reduzir mortes e sequelas.

Os artigos na íntegra podem ser acessados na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, pelos links a seguir:

:: Evolução espaço-temporal da mortalidade por acidente vascular cerebral em Minas Gerais, 1980 a 2021

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:: Mortalidade por acidente vascular cerebral associado negativamente com saúde, educação e segurança: estudo ecológico, Minas Gerais, 2014-2022

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