André Hallack em fotograma do filme O Mundo Árabe da Marechal – Açucena Arbex
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UFJF inaugura Centro Integrado de Preservação Audiovisual com nova plataforma de filmes

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O Centro Integrado de Preservação Audiovisual (CIPAv) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) atua na preservação de acervos audiovisuais. O centro oferece suporte técnico e orientação metodológica para municípios, visando a identificação, preservação e difusão de seus acervos. A iniciativa busca descentralizar as políticas públicas de preservação audiovisual universitária e regional.

De acordo com a UFJF, o acervo do CIPAv possui mais de 300 itens. Inclui películas cinematográficas (35mm, 16mm, 9,5mm e Super 8), fitas magnéticas (VHS e rolo de som ¼”) e fotografias (negativos e diapositivos). Esses materiais são provenientes de nove fundos distintos, abrangendo instituições e arquivos pessoais.

Os fundos incluem a UFJF, o Museu Casa de Cabangu, a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) e o Museu Dr. Américo Werneck. Além disso, há arquivos pessoais de Noah Mancini, Carolina Lewer, Geraldo Mazzei, Angelo Atalla e Arthur Arcuri. A diversidade dos fundos contribui para a amplitude do acervo preservado pelo CIPAv.

Equipe do CIPAv trabalhando na identificação de películas cinematográficas do acervo. Foto: Heloisa Carvalho.

Os registros abrangem filmagens das olimpíadas universitárias de 1967 e vistas aéreas da construção do campus. Também incluem festivais de arte da UFJF na década de 1960 e cenas da vida cotidiana em Minas Gerais entre 1970 e 1980. Documentos audiovisuais e fotográficos de Anésia Pinheiro Machado, a primeira mulher a realizar um voo solo no Brasil, também fazem parte do acervo.

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Curtas-metragens regionais produzidos durante a ditadura civil-militar brasileira estão presentes. Esses filmes abordavam críticas sociais, como corrupção política e policial, violência contra homossexuais e opressão às mulheres. O acervo, portanto, documenta aspectos históricos e sociais relevantes do país.

A equipe do CIPAv é composta por 13 pessoas, incluindo estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado da UFJF. Eles realizam a identificação, limpeza, revisão, reparo e diagnóstico do estado de deterioração de cada item. O trabalho envolve também a catalogação, acondicionamento, digitalização e criação de um banco de dados do acervo.

Gravação do filme Claustrofilia (dir. Pietro Freguglia, 2025), no estúdio do curso de Cinema e Audiovisual da UFJF. Foto: João Vitor Tebaldi.

Plataforma UFJF Filmes

A UFJF Filmes é uma plataforma criada como parte das ações de preservação e difusão do CIPAv. Ela reúne e circula produções audiovisuais realizadas na Universidade ao longo dos anos, além de obras do próprio acervo do Centro Integrado. A plataforma visa centralizar o acesso a esses conteúdos.

Heloisa Carvalho, estudante de Cinema e Audiovisual da UFJF e diretora do filme “A curiosa, o acaso, a vítima e o devaneio” (2025), comenta sobre a plataforma: “agora será possível ver todas as produções universitárias reunidas! É nossa chance de rever filmes que passaram no final das disciplinas, nas mostras, nas bancas de TCC, além de ser mais um espaço onde o filme fica guardado, o que eu acho chique! Também há a possibilidade de conhecer mais do trabalho universitário e reparar como ele vem sendo produzido até então: quais são as temáticas, os apoios, as locações, as cidades de gravação, as equipes”.

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A UFJF Filmes também organiza informações sobre os realizadores e objetos correlatos aos filmes, como fotografias e cartazes. Heloisa Carvalho destaca que “essa é uma ação que faz a cabeça de todo mundo pensar onde está seu filme. A gente tem de procurar nos HDs, SSDs, nuvem, canal do YouTube, computador. Depois disso, ainda vêm os créditos, se tem cartaz, os stills. Acaba sendo um exercício de preservação audiovisual para a gente”.

A plataforma UFJF Filmes possui uma dimensão educacional. A organização por temas e categorias permite seu uso como ferramenta de apoio ao ensino e à pesquisa. Facilita a localização de conteúdos relacionados a diferentes aspectos da vida social, podendo ser utilizada para fruição e para o desenvolvimento de atividades pedagógicas e de pesquisa.

De acordo com a UFJF, a professora Alessandra Brum afirma que a plataforma “representa um compromisso da UFJF com a cultura, educação e a democratização do acesso”. Ela também destaca que a iniciativa é uma possibilidade para alcançar “novos espectadores e ampliar o diálogo entre a universidade e a sociedade”.

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