A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) abriu, em 21 de agosto, inscrições para manifestações de interesse na criação de novas Unidades Produtivas (UPs) Institucionais, conhecidas como hortas institucionais. Instituições como escolas, centros de saúde e entidades socioassistenciais podem se inscrever até 28 de agosto para receber apoio na implantação de uma horta.
O formulário de inscrição está disponível na página da Agroecologia, Agricultura Urbana e Agricultura Familiar da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN). A PBH oferece insumos, capacitação e assessoria técnica, além de acompanhar a implementação e manutenção das hortas.
De acordo com a PBH, as UPs institucionais são áreas de produção agrícola sustentável, baseadas em princípios da agroecologia. Isso inclui manejo sem agrotóxicos, respeito ao ciclo do solo, valorização da biodiversidade e uso racional da água. As unidades podem ser públicas ou privadas, sem fins lucrativos.
As UPs institucionais públicas têm gestão por servidores e produção compartilhada com usuários ou a comunidade. Já as privadas, sem fins lucrativos, são geridas e produzidas por organizações da sociedade civil. O objetivo é reduzir barreiras para instituições sem experiência prévia em cultivo.
Rômulo Dias de Oliveira Barros, professor na Escola Estadual Elpídio Aristides de Freitas, destacou a parceria com o município na implantação da horta. Ele ressaltou a importância da qualificação dos responsáveis pela horta antes da implantação da UP, o que gerou confiança na escola.
“A experiência tem sido muito boa, uma parceria forte e que tem sequência. Recebemos os insumos que necessitamos e a orientação técnica. Recentemente, fizemos o curso de ervas medicinais e já estamos aplicando os conhecimentos na horta”, afirmou o professor. Ele acrescentou que a parceria oferece formações contínuas pelos Centros de Vivência Agroecológica (Cevaes).
Na horta da escola são cultivadas diversas espécies, como batata doce roxa, algodão, salsinha, cebolinha, tomate, rúcula, almeirão roxo, beterraba, banana, feijão de corda, capim cidreira, funcho, boldo e mamão. O professor Rômulo também mencionou os benefícios didáticos do espaço.
“Nesta semana teremos várias ações interdisciplinares com os professores de biologia, matemática, artes, dentre outras disciplinas, que repassarão aos alunos muitos conteúdos que podem ser reforçados com a prática do cultivo”.
Agricultura urbana
Ana Paula Ferreira, gerente de Fortalecimento da Agroecologia e Ações Estratégicas da SMSAN, explicou que a abertura do período de manifestação de interesse amplia as possibilidades para instituições. O objetivo é incorporar a agricultura urbana às atividades de entidades públicas e sem fins lucrativos.
Segundo Ana Paula Ferreira, as Unidades Produtivas institucionais podem ser implantadas em espaços reduzidos e ter diferentes formatos. Isso inclui hortas, jardins produtivos e áreas de cultivo de plantas medicinais. A gerente enfatizou o propósito dessas iniciativas.
“Mais do que a quantidade de alimentos produzidos, o que buscamos é estimular espaços vivos de aprendizagem, cuidado e convivência, que contribuam para a educação alimentar e ambiental, a promoção da saúde e o fortalecimento da segurança alimentar e nutricional”.
O Centro de Saúde Santa Terezinha, em Belo Horizonte, é um exemplo de Unidade Produtiva Institucional bem-sucedida. Um espaço antes ocioso foi utilizado para o cultivo de hortaliças como alface, mostarda, rúcula, salsinha e cebolinha, além de plantas medicinais.
Cecília Garcias Neto, agente comunitária do Centro de Saúde, relatou que a horta funciona como uma terapia para os servidores. “Além de termos alimentos saudáveis e fresquinhos, cuidar do espaço é muito prazeroso. Plantamos até flores aqui”, disse.
