Brasil alcança 1.510 cientistas na lista dos mais influentes do mundo

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Um levantamento divulgado no último dia 7 de outubro aponta que 1.510 cientistas que trabalham no Brasil estão entre os pesquisadores mais influentes do mundo. O estudo é elaborado por John Ioannidis, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, em parceria com a empresa de publicações científicas Elsevier. O número representa um aumento de 3,4% em relação ao ano anterior, quando 1.461 pesquisadores do país integravam a lista.

O número atual de pesquisadores representa um aumento em comparação com o ano de 2023, quando 1.461 cientistas do país estavam na lista. De acordo com informações do jornal O Tempo, apesar do crescimento no número de pesquisadores listados, a posição do Brasil no ranking global permaneceu inalterada, ocupando a 24ª colocação. A trajetória de crescimento no número de cientistas brasileiros tem sido registrada nos últimos anos.

A liderança do ranking é ocupada pelos Estados Unidos, com 73.638 cientistas, e pela China, com 37.203. Na sequência, aparecem o Reino Unido (18.300), a Alemanha (10.938) e a Austrália (8.971). O levantamento considera os 100 mil cientistas com maior número de citações ou aqueles que estão entre os 2% mais bem classificados em sua respectiva subárea de atuação profissional.

Entre os cientistas brasileiros em destaque na lista estão Carlos Augusto Monteiro, da USP, e Constantino Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Também são mencionados Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Embrapa, Cesar Gomes Victor, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Outros nomes incluem pesquisadores da UFMG e USP.

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O ranqueamento dos cientistas é feito com base em um índice composto, o c-score, que considera parâmetros como o número de citações em artigos como autor único, primeiro ou último autor. Os dados utilizados para a análise são extraídos da plataforma Scopus, uma base de dados mundial de resumos e citações de literatura científica revisada por pares, com informações de artigos publicados até o fim de 2023.

A avaliação é dividida em 20 áreas e 174 subáreas do conhecimento para garantir uma comparação mais equilibrada. “Seria injusto comparar cientistas de uma subárea com poucos pesquisadores e poucos artigos publicados com alguém que trabalha em uma área com muitos cientistas, muitos artigos e onde é fácil acumular um grande número de citações”, explicou o autor do estudo, John Ioannidis.

Desde 2024, a lista também inclui informações sobre o número de artigos retratados, o que pode indicar possíveis sinais de alerta quanto à integridade científica de um pesquisador. “Países como China e Índia têm um crescimento muito mais expressivo do que o Brasil, embora muitos deles apresentem sinais de problemas de integridade científica”, disse Ioannidis sobre o tema.

No total, 259 instituições de pesquisa e ensino do Brasil têm representantes na lista. A Universidade de São Paulo (USP) lidera com 282 cientistas, seguida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). A UFMG, a UFRJ e a UFRGS também se destacam com um número de pesquisadores mencionados no levantamento internacional.

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Olival Freire Jr., presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), avalia que a maior presença brasileira é compatível com a recuperação da produção científica nacional após a pandemia. Segundo ele, houve uma retomada nos investimentos em pesquisa, com novos editais de fomento sendo lançados desde 2023, o que pode ter contribuído para o resultado atual.

Freire Jr. pondera, no entanto, que classificações baseadas em citações devem ser analisadas com cautela. Ele ressalta que existem outras métricas de impacto científico que não são consideradas nesses levantamentos, como a formação de novos pesquisadores e o uso da ciência para embasar políticas públicas. “Esses resultados sempre têm que ser comparados com um conjunto de outros indicadores”, afirma ele.

Para Ioannidis, o crescimento do Brasil é evidenciado pelo aumento de cientistas tanto no último ano quanto na avaliação pela carreira. Contudo, a estagnação do investimento do PIB brasileiro em pesquisa e inovação, que passou de 1,28% em 2015 para 1,19% em 2022, pode ter prejudicado uma aceleração maior desse crescimento, segundo o pesquisador.

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