A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a cidade de Uberlândia sediaram o Sisconec.TA 2026 nos dias 20 e 21 de março. O evento ocorreu na Arena Sabiazinho e marcou a consolidação da Rede SisAssistiva.
A Rede SisAssistiva visa promover o desenvolvimento econômico e a transformação social. A iniciativa busca transferir tecnologias desenvolvidas em universidades para o setor produtivo.
A programação do evento incluiu 26 projetos de pesquisa de diversas regiões do Brasil. O Sisconec.TA 2026 integrou um ecossistema com representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), unidades Embrapii, startups, indústrias e usuários finais.
A abertura do evento contou com a presença de membros dos poderes municipal, estadual e nacional. Entre as autoridades estavam o reitor da UFU, Carlos Henrique Carvalho, e a vice-reitora Catarina Azeredo.
Também participaram o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, e a Secretária Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Rodrigues Nascimento.
O coordenador geral do Centro Brasileiro de Referência em Inovações Tecnológicas para Esportes Paralímpicos (Cintesp.Br), Cleudmar Araújo, o deputado estadual Eslimar Prado, a deputada federal Dandara Tonantzin e o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio, também estiveram presentes.
O evento ofereceu mais de 30 oficinas e painéis, envolvendo a sociedade e secretarias de educação, esporte e social da região. O Sisconec.TA é desenvolvido com pesquisadores de vários estados do país.
O objetivo é discutir inovação, apresentar novidades patenteadas e interagir com a sociedade. A iniciativa busca estimular a indústria a fabricar equipamentos e dispositivos que melhorem a qualidade de vida em saúde, educação, esporte e lazer.
Painéis debateram pesquisa e inovação em empresas brasileiras, além dos desafios de inclusão socioprodutiva. De acordo com o coordenador do Cintesp, Cleudmar Araújo, o Brasil ainda enfrenta dificuldades no desenvolvimento de tecnologias assistivas.
Segundo Araújo, o país depende do mercado externo. “Todos que atuam nessa área, nesse segmento, sabem muito bem o desafio que temos pela frente. Ao mesmo tempo, nós temos um enorme potencial, pesquisadores brilhantes de ciências e associações, aqui do Brasil.”
“Então, o que historicamente nos faltou não foi conhecimento, mas integração, escala, e desenvolvimento de um planejamento estratégico. Portanto, é exatamente nesse ponto que nós precisamos de um movimento histórico”, declarou o coordenador.
Para combater esses desafios, o MCTI lançou editais que abrangeram todas as regiões do Brasil. Foram distribuídos R$ 72 milhões, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), para 28 projetos.
De acordo com o Secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedes/MCTI), Inácio Arruda, o investimento nessas tecnologias abre caminhos para o desenvolvimento social.
Arruda explica que isso beneficia uma parcela significativa da população. “Com esse investimento em tecnologia você abre o caminho para os investimentos na produção. Então, você vai ligando pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, inovação e negócios.”
“Porque isso é uma parte ainda significativa dos equipamentos, dos instrumentos que você precisa para garantir que as pessoas, que têm algum tipo de deficiência, participem ativamente da vida política, econômica, social, esportiva, cultural.”
“Para que ele participe, você tem que desenvolver essa tecnologia e fazer inovação, mas você tem que adquirir o produto. Então, à medida que nós temos essas competências todas no Brasil, nós temos o potencial de ter as indústrias, ter as empresas, que garantem que o produto seja produzido aqui mesmo no Brasil”, declarou o secretário.
Uberlândia como Centro Estratégico
De acordo com Inácio Arruda, Uberlândia se torna um ponto importante e estratégico para a transformação da tecnologia assistiva. “Uberlândia vai se transformando no centro dessa atividade no Brasil.”
“Nós vamos investindo em Uberlândia e isso é muito significativo porque você distribui um pouco aquela concentração gigantesca que nós temos nas capitais. Isso é muito importante para o país”, continuou Arruda.
O prefeito Paulo Sérgio destacou que a cidade busca ser referência em acessibilidade e tecnologias assistivas. As parcerias com o governo federal e a UFU contribuem para esse desenvolvimento.
“Para Uberlândia é extremamente importante este evento aqui. Primeiro, porque nós estamos junto com a Universidade, que faz toda a parte de ciência, pesquisa e tecnologia da nossa região, nisso a UFU sempre liderou.”
“E ter o Cintesp aqui dentro do Sabiazinho, em parceria com a Futel, com a Prefeitura de Uberlândia, foi um avanço muito importante e mostra que dá certo. Porque nós temos muitos para-atletas, muitas pessoas que saíram de Uberlândia, estão extremamente bem-sucedidos no Brasil e no mundo, graças a muitas coisas que foram produzidas aqui”, afirmou o prefeito.
Após a abertura oficial do evento, foram lançadas duas pedras fundamentais. A primeira foi da “Praça da Ciência Socioeducativa Parque do Sabiá”, um projeto do Cintesp.Br, com apoio da Futel, Sedes/MCTI e Finep.
A segunda pedra fundamental foi do “Polo.TA – Polo Nacional de Inovação e Manufatura Avançada de Produtos Assistivos”. Este projeto é do Cintesp.Br/UFU, com apoio da Sedes/MCTI, Finep e Prefeitura de Uberlândia, e será localizado no Campus Glória da UFU.
De acordo com o reitor da UFU, Carlos Henrique de Carvalho, o novo polo no Campus Glória será um centro de certificação de tecnologias assistivas. A UFU busca aperfeiçoar o que já é desenvolvido há anos na universidade.
“O investimento inicial para que nós vamos hoje lançar com a pedra fundamental no Glória está orçado na ordem de R$11 milhões na primeira fase. São três fases. Hoje nós estamos lançando a Pedra Fundamental, esses recursos já estão disponíveis para o início das obras.”
“Eu espero que nos próximos meses tenha o processo licitatório, concluído esse processo licitatório, nós possamos iniciar essa primeira fase. A segunda e a terceira fases são em torno de R$15 milhões, cada uma. Então, nós estamos falando aí na ordem de R$40 milhões aproximadamente”, declarou o reitor.
De acordo com Inácio Arruda, o desejo da Sedes é que os editais de financiamento de tecnologias assistivas sejam contínuos. No entanto, isso não tem sido possível.
Este é o segundo grande edital que a secretaria realiza, e um terceiro já está sendo preparado para este ano. “Assim, o nosso desejo é que esses editais, nessa área, fossem de fluxo contínuo, que você não tivesse nenhuma interrupção.”
“Mas nós temos feito os editais e eles têm tido interrupções. Então, nós tivemos o primeiro, agora estamos no segundo grande edital, e estamos desenhando já o nosso terceiro edital. A gente examina quais são as áreas que no primeiro edital ficaram de fora”, declarou o secretário.
