Brasileiros buscam acesso gratuito e mais equipamentos culturais

Advertisement

A ampliação do acesso gratuito a atividades como shows, filmes e exposições é a principal expectativa dos brasileiros em relação às políticas públicas de cultura. A informação é da 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, do Observatório Fundação Itaú com apoio do Datafolha. Para 42% dos entrevistados, essa deve ser a prioridade dos próximos governantes no setor.

O levantamento ouviu 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, das classes A, B, C e D/E, em 137 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 7 e 20 de julho. De acordo com informações do jornal O Tempo, apesar de 68% dos entrevistados saberem que a cultura é um direito garantido na Constituição, o acesso a ela permanece desigual.

A pesquisa aponta uma grande diferença no acesso à cultura por classe social. Enquanto 63% dos brasileiros das classes A e B foram ao cinema nos últimos 12 meses, apenas 18% das classes D e E fizeram o mesmo. Considerando as atividades culturais presenciais de forma geral, 97% das classes A e B participaram de alguma, percentual que cai para 82% nas classes D e E.

A falta de infraestrutura e de conhecimento também são barreiras. Um terço dos entrevistados (33%) afirmou que não existem equipamentos culturais na região onde moram. Além disso, 32% disseram não saber que o acesso à cultura está previsto na Constituição, e 27% não sabem o que significa ter direito à cultura, segundo os dados da pesquisa.

Advertisement

Outras Prioridades e Barreiras de Acesso

“O acesso à cultura realmente ainda é bastante desigual, sobretudo quando observado pela perspectiva socioeconômica ou de escolaridade”, afirma Ana Maria Cardoso, coordenadora do Observatório da Fundação Itaú. Segundo ela, os dados não indicam que pessoas de classes mais baixas valorizem menos a cultura, mas que existem barreiras que interferem no acesso a esses bens e serviços.

Além da gratuidade, 32% dos entrevistados desejam a criação de mais equipamentos públicos de cultura, como museus e cinemas. A melhoria ou reforma dos espaços existentes foi citada por 28%, e o financiamento à produção cultural independente, por 26%. O apoio a iniciativas em periferias e comunidades tradicionais foi mencionado por 22% dos participantes do estudo.

O preço, somando deslocamento e ingresso, é o principal fator que desmotiva a participação presencial, apontado por 35% dos entrevistados. Entre os que gastam com cultura, 46% desembolsam até R$ 100 por mês. A insegurança aparece em segundo lugar como barreira (30%), seguida pela disponibilidade de horário (23%), cansaço (21%), distância (19%) e falta de transporte (16%).

O medo de assaltos ou furtos na região dos eventos foi citado por 47% dos entrevistados como um fator de insegurança. A falta de policiamento nas proximidades foi apontada por 43%, e os riscos no trajeto, por 29%. A violência contra mulheres ou assédio nos espaços culturais foi mencionada por 27%, uma alta de 6 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

Advertisement

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *