A 11ª edição do Festival de Cinema de Câmpulung, na Romênia, ocorre entre os dias 13 e 16 de agosto. O evento conta com a participação de quinze produções cinematográficas de alunos e egressos do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
O festival busca aproximar o público do cinema contemporâneo e incentivar novos realizadores. A edição deste ano homenageia produções do Brasil e de Portugal, com o objetivo de conectar cinematografias de países que compartilham a mesma língua e pontos históricos em comum.
De acordo com o coordenador de programação do Festival, Călin Diaconu, a escolha do Brasil reflete o momento do cinema nacional. Ele mencionou a projeção internacional de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, ambos presentes na programação.
Christian Pelegrini, coordenador do curso de cinema da UFJF, afirmou que a participação da Universidade no festival visa ampliar a circulação internacional das produções acadêmicas. A aproximação com o evento surgiu da busca por oportunidades para os estudantes.
Pelegrini destacou que a presença na mostra indica a qualidade da produção da UFJF. “Participar dessa mostra é um sinal de que temos uma produção de qualidade. Ocupamos um espaço importante na produção audiovisual e participamos da cultura brasileira e dos fluxos que circulam no mundo todo”, disse.
Produções da UFJF em destaque
Entre os trabalhos selecionados está “O que dizemos no escuro”, dirigido por Mariana Marques e Gustavo Bhering. O curta-metragem acompanha Madu, uma atleta de vôlei que organiza a despedida do melhor amigo enquanto lida com situações imprevistas.
Produzido como Trabalho de Conclusão de Curso, o filme explora a tensão entre controle e perda de controle. Mariana Marques ressaltou que a participação no festival aumenta a visibilidade das produções universitárias da UFJF.
Gustavo Bhering enfatizou o impacto da seleção para o reconhecimento do ensino público. “Quanto mais os trabalhos universitários forem vistos no Brasil e no mundo, mais apoio e justificativa da existência de ensino público de qualidade se fortalece”, afirmou.
Outro filme em destaque é “Onde os Anos Passaram”, dirigido por Felipe Reis. O curta foi viabilizado por meio de um prêmio conquistado no Festival Primeiro Plano, em Juiz de Fora, com o curta “Na Parede da Memória”.
O prêmio forneceu recursos financeiros e apoio logístico para a produção do filme, que aborda a relação entre mãe e filha diante dos primeiros sinais de Alzheimer precoce. Felipe Reis afirmou que o incentivo foi fundamental para a realização do projeto.
“Sem o prêmio, definitivamente não teria o filme. Eu acho que é um roteiro ambicioso, que seria feito de uma forma muito diferente, muito mais precária”, destacou o diretor. A produção da UFJF também inclui “Golpe Fantasma”, de Gabriel de Tilio.
O curta narra a história de um jovem boxeador sob pressão antes de sua primeira luta profissional. Gabriel de Tilio será o único representante da UFJF presente no festival na Romênia e destacou a importância do reconhecimento internacional.
“Ser reconhecido por um festival internacional é sempre muito importante. Mostra o amplo alcance que o trabalho feito aqui na Universidade pode ter”, disse Gabriel. Ele também ressaltou o papel da instituição na formação dos estudantes.
“Todos esses filmes selecionados só existem por conta do ensino e dos recursos disponibilizados pela Universidade. Estou muito feliz com tudo que vem acontecendo. A ficha ainda não caiu completamente”, comentou Gabriel.
Ele expressou ansiedade pela viagem e pela oportunidade de se conectar com pessoas de diferentes contextos, mas com interesses e objetivos semelhantes. Mel Graco, egressa do curso e produtora de quatro dos curtas selecionados, também comentou sobre a oportunidade.
Para Mel, a exibição internacional evidencia o trabalho coletivo dos estudantes e o apoio da Universidade. “Eu consigo perceber nitidamente que tem uma paixão envolvida por parte dos realizadores. Foi muita dedicação, muito esforço para conseguir apoio financeiro, construir uma equipe e realizar esses filmes”, afirmou.
A escolha da UFJF para representar o Brasil na mostra internacional resultou do reconhecimento da qualidade do curso de Cinema e Audiovisual. Segundo Diaconu, o nome da Universidade surgiu durante o processo de curadoria, por recomendação de profissionais brasileiros.
“O nome da Universidade surgiu rapidamente. Disseram que têm um curso de Cinema reconhecido e de grande qualidade. Depois de assistir aos curtas enviados, essa impressão foi confirmada”, relatou o organizador do festival.
Nesta edição, o Festival de Cinema de Câmpulung selecionou Romênia, Portugal e Brasil para compor sua programação. Todas as obras brasileiras exibidas serão da Universidade Federal de Juiz de Fora, tornando a instituição a única representante do país na mostra.
A participação reforça a projeção internacional do curso de Cinema e Audiovisual da UFJF e amplia a visibilidade das produções desenvolvidas por seus estudantes e egressos.
